Sábado, 12 de setembro de 2026Notícias de Angola e o mundo!
  1. Início
  2. Cultura
  3. Empresário defende que África deve contar as suas próprias histórias

Lança sobre o Senhor o teu fardo, e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado. Salmos 55:22

Cultura
Por Redacção Angola No Ar

Empresário defende que África deve contar as suas próprias histórias

O empresário Julius Kyazze, cofundador da Swangz Avenue, alertou na semana passada para a necessidade de África registar e partilhar as suas próprias narrativas. Num momento em que os conteúdos estrangeiros dominam o consumo cultural no continente, o especialista destacou o risco de perder o património local se não houver acção imediata.

Equipamento de filmagem e produção audiovisual num estúdio, simbolizando a economia criativa em África.
Partilhar:WhatsAppFacebook
3 visualizações

O alerta de Julius Kyazze não é isolado. Em várias regiões do continente, há quem reconheça que a falta de documentação das tradições orais e históricas está a criar um vazio na identidade das novas gerações. Guardiões culturais mais velhos, responsáveis por transmitir lendas, canções e rituais, estão a desaparecer sem que o seu conhecimento seja registado. Sem essa passagem, muito do que define as comunidades africanas pode ficar perdido para sempre.

A solução, segundo o empresário, passa pela adopção de tecnologias digitais acessíveis. Plataformas como podcasts, vídeos curtos ou canais de streaming permitem não só preservar esses saberes, como torná-los atractivos para os jovens. Enquanto os métodos tradicionais de ensino muitas vezes não conseguem competir com o ritmo acelerado da vida moderna, os conteúdos digitais oferecem uma forma rápida e envolvente de aprender.

O sector criativo africano tem vindo a ganhar espaço nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios. Muitos criadores locais lutam para financiar projectos que valorizem as suas culturas, enquanto o mercado global continua a consumir conteúdos produzidos fora do continente. No entanto, há sinais de mudança. Plataformas internacionais começam a mostrar interesse em narrativas africanas autênticas, oferecendo oportunidades para que os criadores locais sejam donos dos seus direitos e lucros.

Em países como o Quénia ou a Nigéria, já existem iniciativas que seguem esta linha. Produtores de cinema, músicos e escritores locais estão a usar as redes sociais para partilhar histórias que antes só circulavam em círculos fechados. Esses projectos não só ajudam a manter viva a memória colectiva, como também criam emprego e estimulam a economia criativa.

A importância de contar as próprias histórias vai além da cultura. Quando um povo não conhece o seu passado, fica mais vulnerável a influências externas que podem distorcer a sua identidade. Em tempos de globalização acelerada, onde conteúdos estrangeiros são facilmente acessíveis, a necessidade de produzir e consumir narrativas locais torna-se ainda mais urgente.

Outros continentes já passaram por situações semelhantes. Na América Latina, por exemplo, houve um movimento forte para resgatar línguas indígenas e tradições que estavam a desaparecer. Em países asiáticos, comunidades também investiram em documentários e séries para preservar costumes ancestrais. África pode aprender com essas experiências, adaptando estratégias que já deram resultados noutros lugares.

O desafio não é pequeno. Requer investimento em formação, equipamento e acesso à internet, especialmente em zonas rurais onde a conectividade ainda é limitada. Mas os benefícios a longo prazo são claros: uma sociedade mais consciente da sua história, uma economia criativa mais forte e uma geração jovem mais conectada com as suas raízes.

Para Julius Kyazze, o momento é agora. A tecnologia está ao alcance de muitos, e as plataformas digitais oferecem uma plataforma para que as vozes africanas sejam ouvidas em todo o mundo. O que falta é vontade política e apoio às iniciativas que já existem. Sem esse apoio, o risco de perder parte da identidade africana mantém-se.

O sector criativo africano tem potencial para crescer ainda mais, mas depende de acções concretas. Criadores precisam de mais oportunidades para produzir conteúdos de qualidade, e os governos devem reconhecer a importância de proteger e promover as culturas locais. Sem esses passos, a tendência de consumir conteúdos estrangeiros pode continuar a dominar, deixando para trás histórias que só África pode contar.

No futuro, espera-se que mais projectos surjam, não só para preservar o passado, como também para inovar. A combinação de tradição e tecnologia pode criar um novo tipo de narrativa africana, uma que seja reconhecida globalmente e que dê orgulho às gerações vindouras.

Fonte: AllAfrica

encontraste algum erro nesta notícia?

Usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar a tua experiência e apresentar anúncios. Ao clicar em "Aceitar", concordas com o uso de cookies descrito na nossa Política de Privacidade.