África ajusta diplomacia económica perante corte na ajuda externa
Os países da África Subsaariana estão a reconfigurar a sua diplomacia económica para atrair investimento internacional, num momento em que a ajuda externa tradicional regista reduções históricas. A mudança surge após dados demonstrarem um recuo acentuado no financiamento concedido pelos parceiros ocidentais.

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a assistência oficial ao desenvolvimento sofreu uma contracção de 23,3% em 2025. Esta redução histórica sucede a um declínio de 8,5% registado em 2024 e antecede novas quebras previstas para 2026.
Pela primeira vez desde a década de 1990, grandes doadores como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França reduziram os seus orçamentos de apoio em simultâneo. Estima-se que a ajuda bilateral dirigida à África Subsaariana registe uma queda acumulada de até 28%.
Paralelamente, a actuação da China no continente africano atravessa uma fase de reajustamento. O financiamento estatal focado em grandes obras públicas cedeu espaço a investimentos mais selectivos, orientados para a viabilidade comercial e a gestão da dívida.
Frente a este cenário de fragmentação financeira, os governos africanos procuram alternativas para captar capital internacional. A estratégia passa por atrair fundos de investimento do Médio Oriente, empresas tecnológicas norte-americanas e parceiros comerciais de África e da Ásia.
Analistas apontam que a dependência de subsídios estatais dá assim lugar a um modelo fundado em alianças múltiplas. Esta abordagem visa garantir o financiamento de infra-estruturas críticas e a expansão dos mercados locais em várias regiões do continente.
Fonte: AllAfrica
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