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Por Redacção Angola No Ar

Ensino em Angola precisa de mudar para preparar jovens para o mercado

Especialistas angolanos pedem uma reforma profunda no ensino para que os estudantes saiam das universidades mais preparados para o mercado de trabalho. A discussão ganhou força depois de um debate na Rádio Correio da Kianda, onde académicos destacaram o desfasamento entre o que se ensina e o que as empresas precisam.

Sala de aula em Angola com alunos e professor durante uma aula, luz natural, estilo fotojornalístico.
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O problema não é novo, mas continua a afectar milhares de jovens que terminam os cursos e não conseguem encontrar colocação. O académico Marcolino Chiungue, que participou no debate, sublinhou que as universidades angolanas ainda formam profissionais com competências que já não correspondem às exigências do mercado. A crítica não é dirigida apenas aos conteúdos teóricos, mas também à forma como os estudantes são preparados para os desafios reais do mundo profissional.

A reforma proposta pelos especialistas passa por uma maior ligação entre as instituições de ensino e as empresas. A ideia é que os currículos sejam actualizados com frequência, incorporando novas tecnologias e áreas estratégicas para a economia angolana. Chiungue destacou que, sem essa adaptação, o país continuará a formar mão-de-obra que não responde às necessidades das indústrias locais, agravando o problema do desemprego entre os recém-formados.

O debate surgiu num momento em que o Governo angolano tem vindo a promover políticas para diversificar a economia, reduzindo a dependência do petróleo. Nesse contexto, a formação de quadros qualificados em sectores como agricultura, energia renovável e tecnologias digitais torna-se ainda mais urgente. Os académicos argumentam que o sistema educativo deve deixar de focar apenas em diplomas e passar a valorizar competências práticas, como gestão de projectos, trabalho em equipa e resolução de problemas.

A falta de alinhamento entre o ensino e o mercado não é exclusiva de Angola. Em muitos países africanos, governos e universidades têm enfrentado desafios semelhantes, tentando ajustar os programas de estudo às realidades económicas. Em alguns casos, já se registaram progressos com a introdução de estágios obrigatórios e parcerias entre universidades e empresas. No entanto, a implementação dessas mudanças nem sempre é fácil, devido a burocracias, falta de recursos ou resistência por parte de algumas instituições.

Em Angola, a questão ganha contornos ainda mais complexos devido à dimensão do país e às desigualdades regionais. Nas zonas rurais, por exemplo, o acesso a uma educação de qualidade continua a ser limitado, o que dificulta a formação de profissionais qualificados fora das grandes cidades. Os especialistas defendem que, além de actualizar os currículos, é necessário investir em infra-estruturas escolares e na formação de professores, para garantir que a reforma chegue a todos os estudantes, independentemente da sua localização.

Outro ponto levantado no debate foi a necessidade de modernizar os métodos de ensino. Os académicos apontaram que muitas universidades ainda utilizam modelos pedagógicos ultrapassados, centrados na memorização em vez da aplicação prática do conhecimento. A introdução de disciplinas mais dinâmicas, como empreendedorismo ou inovação, poderia ajudar os estudantes a desenvolver competências directamente aplicáveis no mercado de trabalho.

A discussão sobre a reforma do ensino não se limita ao ensino superior. Os especialistas lembraram que o problema começa antes, nos níveis básicos de ensino. Muitos alunos chegam às universidades com lacunas graves em áreas como matemática ou português, o que dificulta a sua progressão académica. Por isso, a reforma deve ser pensada de forma integrada, desde o ensino primário até à formação profissional.

Para os jovens angolanos que terminam os estudos sem perspectivas de emprego, a situação pode ser frustrante. Muitos investem anos de estudo e recursos financeiros na esperança de garantir um futuro melhor, mas acabam por se deparar com um mercado de trabalho que não os reconhece. A falta de oportunidades leva muitos a procurar trabalho no estrangeiro ou a aceitar empregos abaixo das suas qualificações.

Os académicos reconhecem que a reforma do ensino não é uma solução imediata para o problema do desemprego, mas é um passo necessário para preparar a próxima geração de profissionais. Sem essa mudança, o ciclo de desemprego entre jovens qualificados pode continuar a agravar-se, afectando não só os indivíduos, mas também o desenvolvimento económico do país.

O Governo angolano já tem vindo a sinalizar a necessidade de ajustar o sistema educativo às exigências do mercado. Recentemente, foram anunciadas medidas para incentivar a formação em áreas estratégicas, como a agricultura e as energias renováveis. No entanto, os especialistas alertam que é preciso mais do que anúncios: é necessário um plano concreto, com prazos e recursos, para que as mudanças possam ser implementadas de forma efectiva.

A discussão sobre a reforma do ensino em Angola reflecte um desafio global que muitos países enfrentam. A diferença está na urgência com que o problema deve ser tratado em Angola, onde a diversificação económica e a redução do desemprego juvenil dependem, em grande parte, da capacidade de formar profissionais qualificados e alinhados com as necessidades do mercado. Sem essa transformação, o país corre o risco de continuar a perder talento para outras nações ou de ver os seus recursos humanos subaproveitados.

Fonte: Correio da Kianda

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