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Por Redacção Angola No Ar

Tragédia em Ceuta: 67 mortos em travessia perigosa para a Europa

O Mediterrâneo voltou a ser palco de uma tragédia migratória. Nas últimas 48 horas, 67 corpos foram recuperados junto à costa de Ceuta, território espanhol no norte de África. O balanço provisório eleva para 92 o número de vítimas mortais este ano em travessias a nado para a Europa. As autoridades admitem que o número pode ainda aumentar.

Vista aérea do espigão do Tarajal em Ceuta, com ondas fortes a bater na estrutura de betão, praia vazia ao fundo
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A Guarda Civil espanhola mantém operações de resgate no espigão do Tarajal, onde foram encontrados todos os corpos até ao momento. Os migrantes, maioritariamente oriundos de Castillejos, tentavam alcançar Ceuta a nado quando perderam a vida nas águas geladas do Mediterrâneo. A travessia é conhecida pela sua extrema perigosidade, mas continua a ser uma das poucas rotas disponíveis para quem foge de conflitos ou da pobreza extrema em África e no Médio Oriente.

As equipas de emergência trabalham sem interrupção para localizar novos corpos, enquanto as autoridades reconhecem que o número de vítimas poderá aumentar nos próximos dias. A crise migratória em Ceuta tem vindo a agravar-se nos últimos meses, com entradas massivas de pessoas em busca de asilo ou de uma vida melhor na Europa. Este ano, já são 92 os migrantes que morreram ao tentar entrar em Ceuta por via marítima. A maioria das vítimas é de nacionalidade marroquina ou subsariana, segundo dados preliminares.

A situação coloca novamente em evidência os riscos das travessias irregulares para a Europa. Organizações não-governamentais têm vindo a apelar à União Europeia para que implemente políticas migratórias mais humanas e eficazes, que evitem novas mortes no Mediterrâneo. A pressão sobre as fronteiras terrestres e marítimas da Europa tem vindo a aumentar, com um número crescente de pessoas a arriscar a vida em viagens cada vez mais perigosas.

A travessia de Castillejos para Ceuta é uma das mais mortíferas da região. O percurso, que pode chegar aos 14 quilómetros em linha reta, exige uma resistência física extrema devido às correntes fortes e às águas frias do Mediterrâneo. Muitos dos que tentam esta rota não sabem nadar ou não têm equipamento adequado, o que aumenta drasticamente os riscos. Os traficantes de pessoas, que cobram valores elevados por estes serviços, raramente fornecem informações sobre os perigos ou equipamentos de segurança.

As autoridades espanholas têm reforçado a presença policial e naval na zona, mas a eficácia destas medidas é limitada. Muitos migrantes optam por viajar durante a noite ou em condições meteorológicas adversas, aproveitando brechas na vigilância. A falta de alternativas legais e seguras para entrar na Europa obriga muitas pessoas a arriscar a vida em viagens clandestinas, onde a morte é uma possibilidade constante.

A crise migratória em Ceuta não é um fenómeno isolado. Outros pontos da fronteira sul da Europa, como as ilhas Canárias ou a fronteira terrestre com Marrocos, também registam entradas massivas de migrantes. Em anos anteriores, casos semelhantes já haviam chamado a atenção da comunidade internacional, mas as soluções implementadas até agora não conseguiram reduzir significativamente o número de mortes.

A União Europeia tem sido criticada por não conseguir coordenar uma resposta eficaz à crise migratória. Enquanto alguns países defendem políticas de acolhimento e integração, outros optam por medidas mais restritivas, como o reforço de fronteiras e a criminalização da imigração irregular. Esta divisão de opiniões tem dificultado a implementação de soluções duradouras.

As organizações humanitárias alertam para a necessidade de criar vias legais e seguras para a migração, que permitam às pessoas fugir de situações de risco sem terem de recorrer a traficantes ou a travessias perigosas. Até agora, os esforços neste sentido têm sido insuficientes, e o número de mortes continua a aumentar.

A tragédia em Ceuta é mais um lembrete das consequências trágicas da falta de políticas migratórias eficazes e compassivas na Europa. Enquanto não forem encontradas soluções que equilibrem a segurança das fronteiras com o respeito pelos direitos humanos, casos como este continuarão a repetir-se, com vítimas inocentes a pagar o preço mais alto.

Fonte: Notícias ao Minuto - Mundo

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