Zâmbia enfrenta desafio de qualificar mais de 3,3 milhões de jovens
A Zâmbia enfrenta uma crescente lacuna de qualificações profissionais que ameaça o seu desenvolvimento económico, numa altura em que mais de 3,3 milhões de jovens não estudam nem trabalham. O país membro da SADC tem cerca de dez anos para reformar o sistema de ensino e adaptar a força de trabalho à transição digital.

Cerca de dois terços da população zambiana tem menos de 25 anos, um perfil demográfico que coloca o país vizinho de Angola entre os mais jovens do mundo. No entanto, dados do Inquérito à Força de Trabalho de 2022 mostram que mais de 3,3 milhões de cidadãos entre os 15 e os 35 anos encontram-se fora do mercado de trabalho, do sistema escolar e de programas de formação profissional.
Desfasamento entre o ensino e o mercado
Apesar de a nova geração apresentar níveis de escolaridade superiores aos das gerações anteriores, a taxa de desemprego jovem permanece elevada. O problema central reside no desfasamento entre os currículos académicos e as necessidades reais do tecido empresarial, que se modernizou com a introdução de ferramentas digitais no comércio, na agricultura e na logística.
A Estratégia Nacional de Transformação Digital da Zâmbia para o período 2023–2027 identifica a literacia digital como um dos pilares essenciais para o crescimento económico. Contudo, relatórios do Banco Mundial apontam que as instituições de ensino do país não estão a acompanhar a rapidez com que as empresas adoptam novas tecnologias no quotidiano operacional.
Tendência na região da SADC
A escassez de competências tecnológicas é uma tendência que afecta vários países da África Subsariana. Estudos da Corporação Financeira Internacional indicam que, até 2030, uma grande percentagem dos postos de trabalho na região exigirá conhecimentos digitais básicos ou intermédios em sectores tradicionais, como a distribuição, a administração pública e a prestação de serviços.
Para absorver os milhões de adolescentes que vão integrar o mercado de trabalho no prazo de sete a dez anos, analistas defendem a revisão urgente dos programas de formação técnica. Sem um ajuste estrutural na educação, o potencial da juventude zambiana corre o risco de não se traduzir em crescimento económico sustentado.
Fonte: AfricaBusiness.com
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