Turismo angolano ganha destaque na FILDA 2026
A Visit Angola marcou presença na Feira Internacional de Luanda (FILDA) 2026 para reforçar o turismo como alternativa económica. Durante seis dias, o evento reúne investidores e decisores que discutem o futuro do sector. A estratégia passa por atrair capital e diversificar a economia nacional.

A participação da Visit Angola na FILDA 2026 não é um simples acto de presença em feira. Trata-se de um movimento estratégico para posicionar Angola no mapa global do turismo, num momento em que o país procura reduzir a dependência do petróleo. A iniciativa surge num contexto em que várias nações africanas tentam encontrar novos motores económicos, depois de décadas de instabilidade nos preços das matérias-primas. A aposta no turismo não é nova, mas ganha força quando os indicadores mostram que o sector pode gerar emprego e rendimento em várias províncias, desde as praias do Namibe até às paisagens do Cuando-Cubango.
O stand da Visit Angola funciona como um ponto de encontro entre Governo, empresários e investidores. Lá, não se vendem apenas pacotes turísticos. Debatem-se políticas públicas, analisam-se modelos de financiamento e exploram-se parcerias que possam transformar projectos em realidade. Este tipo de abordagem reflecte uma tendência que tem vindo a ganhar força em África: a colaboração entre o Estado e o sector privado para desenvolver infra-estruturas que atraiam visitantes. Em países como Marrocos ou Quénia, já se viu que é possível criar emprego em zonas rurais através do turismo, desde que haja vontade política e investimento consistente.
A programação da FILDA 2026 foi desenhada para mostrar que Angola tem potencial para se tornar um destino atractivo. Os temas abordados não ficam apenas pela promoção de praias ou safaris. Falam-se de ecoturismo, de turismo cultural e até de experiências para viajantes que procuram autenticidade. Este alargamento da oferta é essencial, porque os turistas modernos já não se contentam com pacotes standard. Querem viver experiências únicas, que só um destino pode oferecer.
O primeiro dia da feira foi dedicado às oportunidades económicas que o turismo pode trazer. Não se trata apenas de vender quartos de hotel ou ingressos para parques naturais. O sector pode movimentar outros ramos, como restauração, transportes e artesanato. Em Angola, já existem casos de comunidades que começaram a vender os seus produtos directamente aos visitantes, sem intermediários. Este tipo de iniciativa ajuda a fixar rendimentos nas localidades e reduz a migração para as cidades.
A estratégia apresentada pela Visit Angola assenta em quatro pilares: inovação, sustentabilidade, parcerias público-privadas e criação de valor social. Estes conceitos não são exclusivos de Angola. Em todo o mundo, os destinos que conseguem atrair mais visitantes são aqueles que conseguem equilibrar o desenvolvimento económico com a preservação ambiental e cultural. Um exemplo disso é a forma como alguns países europeus transformaram regiões antes abandonadas em pólos turísticos, sem perder a identidade local.
A dependência do petróleo tem sido um desafio constante para a economia angolana. Nos últimos anos, o Governo tem feito esforços para diversificar as fontes de receita, e o turismo surge como uma das apostas mais promissoras. Não é um caminho fácil, porque exige investimento em infra-estruturas, formação de mão-de-obra e promoção internacional. Mas os resultados podem ser duradouros, desde que haja continuidade nas políticas.
Durante a FILDA, também se fala da importância de criar condições para que os visitantes se sintam seguros e bem recebidos. Em muitos países africanos, o turismo já foi prejudicado por problemas de segurança ou por uma imagem negativa transmitida nos media internacionais. Angola tem trabalhado para inverter essa percepção, mostrando que o país é um destino acolhedor e com potencial para oferecer experiências memoráveis.
Os próximos passos passam por transformar as intenções em acções concretas. Depois da feira, espera-se que surjam novos projectos e que os investidores que participaram nos debates avancem com propostas. O objectivo é que, em poucos anos, Angola consiga aumentar o número de turistas e, consequentemente, o impacto económico do sector. Para isso, será necessário não só manter o ritmo das acções, como também envolver as comunidades locais no processo.
A FILDA 2026 é apenas um ponto de partida. O verdadeiro teste será quando os primeiros visitantes começarem a chegar e a experienciar aquilo que Angola tem para oferecer. Se a estratégia for bem-sucedida, o turismo poderá tornar-se num dos principais pilares da economia angolana, gerando emprego e reduzindo a pobreza em várias regiões do país.
Fonte: Google News (Angola)
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