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Por Redacção Angola No Ar

UEFA acusa FIFA de falta de transparência no futebol

A UEFA voltou a criticar a liderança da FIFA por um plano comercial que a federação europeia considera secreto e prejudicial ao desporto. O organismo europeu alertou para a necessidade de prestar contas sobre quem tomou decisões que afectam o futebol mundial. A polémica surgiu depois de a FIFA ter desistido de vender direitos comerciais do Mundial a investidores privados, após forte contestação.

Edifício da sede da FIFA com bandeiras de federações europeias ao fundo, estilo documental, luz natural
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A decisão da FIFA de abandonar um projeto polémico não passou despercebida no mundo do futebol. A UEFA, federação que gere o desporto na Europa, aproveitou para reforçar as suas críticas à falta de transparência na entidade máxima do futebol. Num comunicado oficial, o organismo europeu agradeceu publicamente a todos aqueles que se opuseram ao plano, classificando-o como um esquema sem benefícios claros para o desporto.

Segundo a UEFA, o futebol não pode ser tratado como um produto à venda. A federação destacou que a proposta inicial foi desenvolvida por "indivíduos anónimos" sem qualquer prestação de contas, o que levantou suspeitas sobre os verdadeiros interesses por trás da iniciativa. A entidade europeia foi ainda mais longe ao afirmar que o actual líder da FIFA perdeu a confiança não só da UEFA, mas de grande parte da comunidade futebolística.

A polémica não é nova. Quando se candidatou à presidência da FIFA, o líder em questão prometeu transparência total e garantiu que os recursos da federação seriam usados para desenvolver o desporto nos países membros. No entanto, segundo a UEFA, essas promessas não se traduziram em acções concretas. A federação europeia recordou que, ao longo dos anos, a FIFA acumulou mais de cinco mil milhões de euros em reservas, valores que poderiam ser aplicados em projectos de desenvolvimento do futebol, especialmente em nações menos favorecidas.

O programa FIFA Forward, que já apoia iniciativas em várias partes do mundo, foi mencionado como exemplo de como os recursos poderiam ser melhor aproveitados. A UEFA questionou a necessidade de vender os direitos mais valiosos do futebol para resolver problemas que já têm solução. "Não precisamos de vender os nossos bens mais valiosos para resolver problemas que já têm solução", declarou a federação, sublinhando que a transparência deve ser a prioridade.

A vitória da UEFA nesta batalha não é vista como definitiva. A federação europeia deixou claro que a luta por um futebol mais transparente e justo continua. Para muitos observadores, este episódio reforça a ideia de que o futebol precisa de reformas profundas para garantir que os seus recursos sejam usados em benefício de todos, e não de interesses privados.

A relação entre a UEFA e a FIFA nem sempre foi conflituosa. No entanto, nos últimos anos, as divergências têm-se tornado mais frequentes, especialmente quando se trata de questões comerciais e de governança. Enquanto a UEFA defende um modelo mais descentralizado, onde os clubes e federações nacionais tenham maior participação nas decisões, a FIFA tem sido acusada de centralizar o poder e de tomar medidas sem consultar devidamente os seus membros.

Este não é o primeiro caso em que a falta de transparência na FIFA é posta em causa. Ao longo da sua história, a federação já enfrentou várias polémicas relacionadas com corrupção e gestão duvidosa de recursos. Em anos anteriores, outros países e federações já haviam levantado questões semelhantes, exigindo maior abertura e responsabilização por parte dos dirigentes. A pressão da UEFA surge num momento em que o futebol global enfrenta desafios crescentes, desde a desigualdade entre as nações até à necessidade de modernizar as suas estruturas.

A UEFA tem sido uma das vozes mais críticas dentro do futebol internacional. A federação tem defendido que o desporto deve ser gerido com base em princípios éticos e que os seus recursos devem ser usados para promover o desenvolvimento do jogo em todos os cantos do mundo. A decisão de rejeitar o plano comercial da FIFA foi vista como um passo importante, mas muitos acreditam que ainda há muito trabalho a fazer.

Para os adeptos, clubes e jogadores, a transparência é fundamental. Sem ela, é difícil confiar nas instituições que gerem o desporto que tanto amam. A UEFA espera que este episódio sirva de alerta para que a FIFA adote práticas mais abertas e responsáveis, garantindo que o futebol continue a ser um desporto justo e acessível a todos.

A luta por um futebol mais transparente não termina aqui. A UEFA já avisou que não vai baixar a guarda e continuará a exigir mudanças. Enquanto isso, a FIFA terá de enfrentar as suas próprias contradições e demonstrar que está disposta a ouvir as vozes daqueles que, há décadas, trabalham para manter vivo o espírito do futebol.

O futuro do futebol depende de decisões transparentes e de uma gestão responsável dos seus recursos. Se a FIFA quiser recuperar a confiança perdida, terá de agir com determinação e mostrar que está verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento do desporto. Até lá, a batalha pela transparência no futebol continua em aberto.

Fonte: Notícias ao Minuto - Desporto

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