S&P mantém nota de Angola em B- com perspectiva estável
A agência de rating Standard & Poor's (S&P) decidiu manter a classificação de risco de Angola em B-, com perspectiva estável. A decisão, anunciada na sexta-feira, 17 de agosto, reflecte a análise das contas públicas e do desempenho económico do país nos últimos meses. A manutenção do rating surge num contexto de preços do petróleo acima do esperado, mas também de desafios na gestão das finanças nacionais.

A classificação B- coloca Angola num patamar abaixo do grau de investimento, conhecido como 'lixo'. No entanto, a perspectiva estável indica que a agência não prevê mudanças significativas no curto prazo. Esta decisão surge após a S&P avaliar vários factores económicos, incluindo o comportamento do preço do crude e a capacidade do governo para honrar os compromissos financeiros.
O petróleo continua a ser o principal motor da economia angolana. Nos últimos meses, os preços do crude subiram 42% em relação ao ano anterior, atingindo valores próximos dos 98 dólares por barril. Este aumento beneficiou as receitas do Estado, já que o petróleo representa cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No entanto, a produção angolana de petróleo ainda não recuperou totalmente dos níveis anteriores à pandemia, mantendo-se abaixo de 1 milhão de barris por dia. Esta limitação reduz o impacto positivo dos preços elevados, uma vez que o sector petrolífero responde por 92% das exportações e mais de 40% das receitas fiscais do país.
Apesar dos ganhos com a subida do crude, o governo angolano enfrenta desafios na gestão das finanças públicas. Um dos principais pontos de pressão é o aumento dos subsídios aos combustíveis, uma medida que tem vindo a ser reforçada nos últimos anos. Em 2026, os gastos com subsídios atingiram valores recorde, reflectindo a tentativa de conter o impacto da inflação nos preços dos transportes e da energia. No entanto, esta estratégia tem um custo elevado para o Orçamento do Estado, que já enfrenta dificuldades em cumprir as metas de redução do défice.
Outro factor que preocupa os analistas é a trajectória da dívida pública. Segundo a S&P, Angola vai pagar cerca de 6,5 mil milhões de dólares em serviço da dívida este ano. As previsões indicam que este valor subirá para 9,1 mil milhões em 2027 e 11 mil milhões em 2028. Apesar destes encargos, a agência considera que o país tem capacidade para cumprir os compromissos, graças a iniciativas de gestão financeira implementadas nos últimos meses. Estas medidas incluem a renegociação de prazos de pagamento e a redução de despesas não essenciais.
A previsão de crescimento económico foi ajustada para 3,5% em 2026, uma desaceleração face aos anos anteriores. Para o período entre 2027 e 2029, a S&P espera um crescimento ainda mais moderado, na ordem dos 2,7%. A estabilidade económica depende, em grande parte, da manutenção de preços favoráveis do petróleo e de uma produção estável acima de 1 milhão de barris diários. No entanto, os analistas alertam que os subsídios aos combustíveis, impulsionados pelos preços altos do crude, aumentam as despesas públicas e podem comprometer a sustentabilidade das contas do Estado.
A classificação B- mantém Angola num patamar de risco elevado, mas a perspectiva estável oferece algum alívio aos investidores. A S&P reconhece os esforços do governo para controlar a dívida e melhorar a transparência nas contas públicas. No entanto, sublinha que os desafios persistem, especialmente na redução das despesas correntes e no aumento da produção petrolífera.
A decisão da S&P chega num momento em que Angola prepara eleições em 2027. Os gastos com campanhas e segurança eleitoral tendem a aumentar nos próximos meses, o que pode pressionar ainda mais as finanças públicas. Além disso, a dependência do petróleo torna a economia angolana vulnerável a flutuações nos mercados internacionais. Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado para diversificar as suas fontes de receita, mas Angola ainda não apresentou um plano concreto para reduzir a sua dependência do crude.
Os próximos passos da S&P dependerão da evolução da economia angolana nos próximos trimestres. Se os preços do petróleo se mantiverem elevados e a produção recuperar, o rating poderá ser revisto em alta. Por outro lado, se os gastos públicos continuarem a subir e a dívida se tornar insustentável, a perspectiva poderá mudar para negativa. Até lá, o governo angolano terá de equilibrar a necessidade de investimento com a contenção das despesas, num cenário de incerteza económica global.
Fonte: Google News (Angola)
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