Agricultura injecta 591,8 mil milhões Kz no PIB angolano
A agricultura angolana registou um contributo recorde de 591,8 mil milhões de kwanzas para o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026. Os dados, divulgados pelo Governo, revelam um avanço significativo na estratégia de diversificação económica do país, reduzindo a dependência do petróleo.

Nos primeiros três meses deste ano, o sector agrícola angolano gerou 591.826,59 milhões de kwanzas para a economia nacional. O Executivo classificou os números como um sinal positivo da estratégia governamental para diminuir a vulnerabilidade face às flutuações do mercado petrolífero. A agricultura tem sido apontada como uma das principais apostas para impulsionar o crescimento económico e criar emprego no país.
O anúncio foi feito na terça-feira, 4 de Agosto de 2026, num momento em que Angola procura alternativas para equilibrar as suas fontes de receita. A diversificação da economia é considerada fundamental para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida da população. Especialistas destacam que o sector agrícola tem potencial para se tornar num pilar da economia angolana, aproveitando as condições naturais favoráveis do território.
O desempenho do sector reflecte o trabalho dos camponeses e o aproveitamento das terras angolanas, que apresentam condições propícias para a produção de alimentos e matérias-primas. O Governo sublinhou que a agricultura continua a ser uma das principais apostas para o desenvolvimento do país nos próximos anos, mesmo em períodos de instabilidade global. Os resultados trimestrais são analisados como um indicador da resiliência da economia angolana, que tem enfrentado desafios como a queda nos preços das commodities e a crise energética.
Embora o Executivo não tenha detalhado como estes valores se comparam com períodos anteriores, a tendência de crescimento mantém-se consistente. A agricultura angolana tem vindo a ganhar espaço na pauta económica, após anos de dependência excessiva do sector petrolífero. A aposta em culturas como mandioca, milho e café tem mostrado resultados promissores, com aumento da produtividade em várias províncias.
A diversificação económica é uma prioridade para Angola há mais de uma década, mas os resultados concretos só agora começam a surgir de forma mais visível. O Governo tem implementado políticas para apoiar os pequenos agricultores, como o acesso a crédito e a distribuição de sementes melhoradas. Além disso, a modernização do sector, com a introdução de técnicas agrícolas mais eficientes, tem contribuído para o aumento da produção.
A agricultura familiar, que representa a maioria dos produtores no país, tem sido alvo de programas governamentais para aumentar a sua produtividade. A criação de cooperativas e a formação técnica têm permitido aos agricultores melhorar a qualidade dos seus produtos e escoar a produção de forma mais organizada. Em várias províncias, como Huíla, Benguela e Cuanza Sul, os resultados já são visíveis, com um aumento significativo na produção de alimentos.
O sector agrícola angolano enfrenta, no entanto, desafios estruturais que precisam de ser superados. A falta de infraestruturas adequadas, como estradas e armazenamento, continua a ser um entrave ao desenvolvimento do sector. Além disso, a dependência de factores climáticos, como a chuva, torna a produção vulnerável a secas e inundações. O Governo tem investido em sistemas de irrigação e na construção de barragens para minimizar estes riscos.
A aposta na agricultura não se limita apenas à produção de alimentos. O sector também tem potencial para gerar divisas através da exportação de produtos como café, óleo de palma e algodão. Países africanos com características semelhantes já tomaram medidas semelhantes no passado, com resultados positivos na redução da pobreza e no crescimento económico. A agricultura pode, assim, tornar-se num motor de desenvolvimento para Angola, criando emprego e melhorando a segurança alimentar.
Os próximos passos passam pela continuidade das políticas de apoio ao sector, com um foco especial na modernização e na melhoria das condições de trabalho dos agricultores. O Governo já anunciou planos para expandir o acesso a crédito e para reforçar a assistência técnica aos produtores. A expectativa é que, nos próximos anos, a agricultura angolana continue a crescer e a contribuir de forma mais significativa para a economia nacional.
A diversificação económica é um processo complexo e demorado, mas os resultados já começam a aparecer. O contributo da agricultura para o PIB no primeiro trimestre de 2026 é um sinal claro de que o país está no caminho certo. Com mais investimento e políticas públicas eficientes, o sector pode tornar-se num dos principais pilares da economia angolana, reduzindo a dependência do petróleo e criando oportunidades para milhões de angolanos.
Fonte: OPaís
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