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Por Redacção Angola No Ar

Rio Tinto regista recorde de lucro semestral com cobre e alumínio

A multinacional mineira Rio Tinto alcançou o maior lucro semestral dos últimos quatro anos, impulsionado pela crescente procura global por cobre e alumínio. O desempenho financeiro superou as expectativas, marcando uma viragem nos resultados da empresa, tradicionalmente dependente do minério de ferro.

Placas de cobre processado numa instalação industrial de mineração.
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A Rio Tinto fechou o semestre com números históricos, graças ao cobre e ao alumínio. Estes dois metais, antes secundários nas receitas do grupo, passaram a representar mais de metade dos seus lucros. A mudança reflecte uma tendência global: a transição energética e a digitalização estão a redefinir as prioridades do sector mineiro.

O cobre, em particular, tornou-se o novo ouro industrial. A sua procura disparou devido à expansão dos centros de dados, essenciais para alimentar a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes. Cada novo servidor instalado requer quilómetros de cabos de cobre, transformando este metal num recurso estratégico. O alumínio, por sua vez, ganha relevância na produção de componentes leves para veículos eléctricos e estruturas de energia renovável.

Esta viragem não é exclusiva da Rio Tinto. Outras grandes mineradoras mundiais já ajustaram as suas estratégias para acompanhar a mesma dinâmica. Países com tradição mineira, como a Austrália e o Chile, registam aumentos significativos na extracção de cobre, enquanto novas frentes de exploração surgem em África e na Ásia. A transição energética não se limita a reduzir emissões — está a reconfigurar cadeias de valor inteiras.

Em Angola, o interesse por minerais críticos também tem vindo a crescer. Embora o país não seja ainda um grande produtor de cobre, o governo tem incentivado a pesquisa geológica em regiões com potencial. A diversificação da economia angolana passa, cada vez mais, pela exploração de recursos que possam alimentar indústrias globais em transformação.

A Rio Tinto não é a única a notar esta mudança. Empresas de outros sectores, como a tecnologia e a energia, também ajustam os seus investimentos para garantir acesso a estes metais. A electrificação dos transportes e a expansão das redes eléctricas exigem volumes cada vez maiores de cobre e alumínio, criando um ciclo de procura difícil de acompanhar.

O actual director executivo da mineradora, no seu primeiro ano à frente da empresa, tem apostado numa estratégia de simplificação operacional. O objectivo é focar em minerais com maior potencial de crescimento, reduzindo dependências de produtos com mercados mais voláteis. Esta abordagem reflecte uma tendência mais ampla no sector: as empresas procuram ser mais ágeis e menos expostas a flutuações de preços.

Os resultados da Rio Tinto chegam num momento em que o mercado de matérias-primas enfrenta pressões inéditas. A guerra na Ucrânia e as tensões geopolíticas em várias regiões afectam o fornecimento de energia e transportes, encarecendo os custos de produção. Nestes cenários, as empresas com acesso a recursos estratégicos ganham vantagem competitiva.

Ainda assim, os desafios persistem. A extracção de cobre e alumínio exige investimentos pesados em tecnologia e sustentabilidade. A pressão para reduzir o impacto ambiental das minas aumenta, enquanto os governos impõem normas mais rigorosas. As mineradoras que não se adaptarem a estas exigências podem perder espaço num mercado cada vez mais exigente.

Para os países produtores, como Angola, esta realidade abre oportunidades. A possibilidade de atrair investimentos estrangeiros para explorar novos depósitos pode impulsionar a economia local. No entanto, é fundamental que a exploração seja feita de forma responsável, garantindo benefícios duradouros para as comunidades e o ambiente.

Os próximos meses serão decisivos. Se a procura por cobre e alumínio continuar a crescer, outras mineradoras poderão seguir o exemplo da Rio Tinto e reorientar as suas operações. A transição energética não é apenas uma questão ambiental — está a tornar-se um factor económico determinante, capaz de redefinir o futuro de indústrias inteiras.

A Rio Tinto mostrou que é possível adaptar-se a este novo contexto. Agora, cabe a outras empresas, governos e investidores acompanhar este movimento e preparar-se para as mudanças que ainda estão por vir.

Fonte: Mining Weekly Africa

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