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O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei? Salmos 27:1

Economia
Por Redacção Angola No Ar

Indústria transformadora angolana perde fôlego face à agricultura

A indústria transformadora em Angola continua a perder peso na economia nacional, enquanto a agricultura ganha destaque no discurso oficial. No primeiro trimestre deste ano, o sector industrial representou apenas 6,18% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor fica muito abaixo da média africana, que ronda os 10%.

Vista conceptual de instalações industriais e armazenamento agrícola em Angola
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O recuo da indústria transformadora não é um fenómeno recente em Angola. Desde 2017, a participação deste sector no PIB tem-se mantido aquém das expectativas, com o pico mais elevado a registar-se em 2023, quando atingiu 7,4%. No entanto, mesmo esse valor foi insuficiente para alavancar o crescimento económico do país. A queda para 6,18% no início deste ano acendeu novos alertas sobre a saúde da economia angolana, especialmente quando comparada com outros países do continente.

Em África, a média de participação da indústria transformadora no PIB ronda os 10%, um valor que Angola está longe de alcançar. Enquanto nações como Marrocos, Egipto ou África do Sul conseguem manter uma base industrial mais robusta, Angola continua a depender fortemente de sectores como a agricultura e a extracção de recursos naturais. No entanto, mesmo a agricultura, que tem sido apresentada como alternativa, ainda não conseguiu compensar a perda de dinamismo da indústria transformadora.

Os números mostram que o sector industrial angolano não só contribui pouco para o crescimento económico, como também tem um impacto limitado na criação de emprego. Segundo dados oficiais, apenas 4,9% da população activa do país trabalha na indústria transformadora. Este valor é baixo quando comparado com outros sectores, como o comércio ou os serviços, que empregam uma parcela muito maior da população. A falta de postos de trabalho estável e bem remunerados no sector industrial reforça a necessidade de repensar as políticas económicas do país.

Um dos principais desafios enfrentados pelos empresários angolanos é o acesso ao crédito. Muitas empresas, especialmente as de pequena e média dimensão, têm dificuldade em obter financiamento para expandir as suas operações ou modernizar os seus equipamentos. Sem capital disponível, torna-se quase impossível competir com produtos importados ou investir em inovação. Além disso, a falta de insumos essenciais — matérias-primas, equipamentos ou tecnologia — agrava ainda mais a situação, limitando a capacidade produtiva das fábricas.

A agricultura, embora tenha vindo a ganhar destaque nos últimos anos, ainda não conseguiu preencher o vazio deixado pela indústria transformadora. As infra-estruturas públicas construídas no campo, como estradas, armazéns e sistemas de irrigação, prometiam aumentar a produção nacional e reduzir a dependência de importações. No entanto, os resultados ainda não são suficientes para compensar a queda na produção industrial. A falta de ligação entre os dois sectores — indústria e agricultura — impede que o crescimento de um impulsione o outro.

A situação actual reflecte um padrão que se repete em vários países africanos. Em muitos casos, a industrialização tem sido um processo lento e complexo, marcado por desafios como a falta de investimento, a instabilidade política e a concorrência de produtos estrangeiros mais baratos. Em Angola, a dependência do petróleo e de outros recursos naturais também contribui para a falta de diversificação económica, deixando o país vulnerável às flutuações dos preços internacionais.

Para reverter este cenário, especialistas e empresários defendem a implementação de políticas públicas mais eficazes. Uma das principais recomendações é a criação de linhas de crédito específicas para o sector industrial, com juros acessíveis e prazos alargados. Além disso, é fundamental melhorar o acesso a insumos e tecnologia, bem como simplificar os processos burocráticos que travam o desenvolvimento das empresas.

Outra medida apontada é o incentivo ao empreendedorismo local, especialmente em sectores com potencial de crescimento, como a agroindústria. A transformação de matérias-primas agrícolas em produtos acabados não só aumenta o valor acrescentado, como também cria empregos e reduz a dependência de importações. Países como o Quénia e a Etiópia já adoptaram estratégias semelhantes, com resultados positivos.

No entanto, a recuperação da indústria transformadora angolana não depende apenas de medidas isoladas. É necessário um plano integrado que inclua não só o apoio financeiro e técnico às empresas, como também a melhoria das infra-estruturas, a formação de mão-de-obra qualificada e a promoção de parcerias público-privadas. Sem um esforço coordenado, o país corre o risco de continuar a perder terreno face a outras economias africanas.

Ainda não há sinais claros de que o Governo esteja a preparar acções concretas para inverter esta tendência. Enquanto isso, os empresários continuam a enfrentar dificuldades, e a população angolana sente os efeitos da falta de diversificação económica. A indústria transformadora pode não ser a solução para todos os problemas do país, mas a sua recuperação é fundamental para reduzir a dependência de sectores voláteis e criar uma economia mais resiliente e inclusiva.

Nos próximos meses, será importante acompanhar se as autoridades tomarão medidas efectivas ou se o país continuará a depender de soluções temporárias. A história económica de Angola mostra que a mudança exige tempo e persistência, mas também vontade política e um compromisso genuíno com o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Expansão

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