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Por Redacção Angola No Ar

Euribor dispara e prestações da casa sobem forte em Angola

Os angolanos com crédito à habitação a taxa variável vão notar um aumento nas prestações já em agosto. Segundo a DECO PROteste, um empréstimo de 150 mil euros pode ficar mais caro em mais de 60 euros por mês. Para quem deve 300 mil euros, o impacto pode chegar a 126 euros.

Maquete de casa com gráfico de seta ascendente representando aumento da prestação
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A subida das taxas Euribor está a mexer com os orçamentos de quem tem casa própria em Angola. Este tipo de crédito, comum entre famílias com rendimentos médios, depende de taxas que mudam todos os meses. Quando a Euribor sobe, as prestações também sobem — e é isso que está a acontecer agora.

A DECO PROteste fez contas para dois casos típicos no mercado angolano. Para um financiamento de 150 mil euros, com prazo de 30 anos e uma margem de lucro do banco de 1%, a prestação pode chegar aos 701,93 euros. Há um ano, esse mesmo empréstimo custava menos 63,12 euros por mês. Quem pediu 300 mil euros sente o golpe ainda mais forte: a prestação pode subir para 1.403,86 euros, um aumento de 126,23 euros em relação ao ano passado.

A Euribor a 12 meses é a que mais pesa nestas contas. Em julho, a média ficou nos 2,835%. Já a taxa a seis meses, que é a mais usada desde o início de 2024, fechou em 2,638%. Estas taxas são definidas no mercado interbancário europeu e reflectem a confiança dos bancos uns nos outros. Quando sobem, os bancos repassam o custo para os clientes que têm crédito à habitação.

Dados do Banco de Portugal mostram como estas taxas afectam os empréstimos em Angola. A Euribor a seis meses cobre 39,17% dos créditos com taxa variável. A de 12 meses abrange 31,73%, enquanto a de três meses representa 24,79%. Ou seja, a maioria dos angolanos com este tipo de crédito está a sentir o impacto directo destas subidas.

O Banco Central Europeu manteve as suas taxas directoras inalteradas em julho, mas o mercado já espera uma nova subida em setembro. Se isso acontecer, as prestações podem subir ainda mais nos próximos meses. Este cenário já aconteceu antes: sempre que os bancos centrais aumentam os custos de financiamento, os bancos comerciais ajustam as taxas dos empréstimos. Em Angola, onde muitos contratos de crédito à habitação estão indexados a taxas europeias, o efeito é quase imediato.

Para as famílias, o impacto não é apenas no orçamento mensal. Quando as prestações sobem, sobra menos dinheiro para outras despesas essenciais, como alimentação, saúde ou educação. Em casos mais graves, pode mesmo levar a dificuldades em pagar as prestações, o que aumenta o risco de incumprimento. Os bancos, por sua vez, podem reagir com medidas como renegociações ou extensão do prazo do crédito, mas estas soluções nem sempre são acessíveis a todos.

Este não é um problema exclusivo de Angola. Em outros países africanos, já se viram situações semelhantes quando as taxas internacionais sobem. Em alguns casos, os governos criaram programas de apoio para ajudar as famílias a manterem as suas casas. Em Angola, ainda não há sinais de medidas governamentais específicas para este problema, mas a discussão já começa a ganhar força nos meios económicos.

Os especialistas lembram que, quando as taxas Euribor sobem, não é apenas o crédito à habitação que fica mais caro. Os empréstimos para automóveis, cartões de crédito e até alguns tipos de financiamento empresarial também são afectados. Por isso, o impacto pode alastrar-se a vários sectores da economia. As famílias com menos margem de manobra são as que mais sofrem, especialmente aquelas que já tinham prestações altas em relação aos seus rendimentos.

No futuro próximo, a tendência é de mais instabilidade. Os bancos centrais estão a tentar controlar a inflação, o que pode levar a novas subidas de taxas. Em Angola, onde a economia depende em parte de factores externos, a situação pode agravar-se se a moeda local continuar a desvalorizar face ao euro ou ao dólar. Os analistas económicos já alertam para a necessidade de as famílias reverem os seus orçamentos e, se possível, procurarem alternativas como a renegociação de dívidas ou a mudança para taxas fixas, quando disponíveis.

Ainda assim, há quem defenda que as taxas variáveis continuam a ser uma boa opção para quem tem confiança na sua capacidade de pagamento. O risco existe, mas também pode trazer vantagens se as taxas começarem a descer no futuro. Até lá, as famílias angolanas vão ter de se adaptar a uma realidade onde as prestações da casa podem subir a qualquer momento, sem aviso prévio.

Fonte: Notícias ao Minuto - Última Hora

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