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Por Redacção Angola No Ar

ANPG vai lançar concurso para aumentar reservas de petróleo

O Presidente da República, João Lourenço, autorizou a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) a abrir um concurso público para contratar empresas especializadas em pesquisa geológica. A decisão surge num momento em que Angola procura reforçar a sua produção de petróleo, um sector que sustenta grande parte das receitas do Estado.

Imagem conceptual de um local de exploração petrolífera em Angola, com equipamentos ao fundo e uma sala de reuniões vazia
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A autorização presidencial foi formalizada através do Despacho Presidencial n.º 278/26, publicado no Diário da República na segunda-feira, 10 de novembro. O objectivo é lançar um concurso para seleccionar empresas capazes de realizar pesquisas em áreas já identificadas para desenvolvimento petrolífero, bem como nas suas proximidades. Segundo o documento, a iniciativa insere-se numa estratégia nacional para aumentar a produção de petróleo e gás, dois recursos que há décadas sustentam a economia angolana.

A ANPG será responsável por gerir todo o processo de selecção, garantindo que o concurso decorra de forma transparente e competitiva. No entanto, a agência ainda não anunciou a data exacta de abertura do concurso, nem os critérios específicos de avaliação dos projectos que serão apresentados pelas empresas interessadas. Esta falta de detalhes deixa em aberto várias questões sobre o ritmo a que as operações poderão avançar.

A pesquisa geológica desempenha um papel central na descoberta de novas reservas e na optimização da exploração dos recursos já conhecidos. Em Angola, a indústria petrolífera é a principal fonte de divisas, representando mais de metade das receitas do Estado. Por isso, qualquer acção que possa aumentar a produção ou reduzir os custos de extracção tem um impacto directo no orçamento nacional.

O sector enfrenta, contudo, desafios significativos. A queda nos preços internacionais do petróleo nos últimos anos obrigou o Governo a diversificar as fontes de receita, mas a dependência do crude continua a ser uma realidade. Além disso, a manutenção das infra-estruturas de extracção e a necessidade de adoptar tecnologias mais eficientes são temas recorrentes nas discussões sobre o futuro da indústria.

Especialistas do sector sublinham que a pesquisa geológica é um passo indispensável para identificar novas reservas e prolongar a vida útil dos campos petrolíferos já em exploração. Em países com economias dependentes de recursos naturais, como Angola, a capacidade de descobrir e explorar novas jazidas pode fazer a diferença entre o crescimento económico e a estagnação.

Nos últimos anos, vários países africanos já tomaram medidas semelhantes para revitalizar as suas indústrias petrolíferas. Alguns optaram por abrir os seus mercados a empresas internacionais, enquanto outros investiram em tecnologias avançadas para aumentar a eficiência da extracção. Angola segue agora um caminho semelhante, ao apostar na contratação de serviços especializados para mapear novas áreas de potencial petrolífero.

Ainda assim, o sucesso desta iniciativa dependerá de vários factores. A transparência no processo de selecção das empresas será crucial para evitar suspeitas de favorecimentos ou irregularidades. Além disso, a capacidade das empresas seleccionadas para cumprir os prazos e apresentar resultados concretos será determinante para que o concurso cumpra os seus objectivos.

Outro ponto a considerar é o impacto ambiental das operações de pesquisa e extracção. A indústria petrolífera está frequentemente associada a danos ambientais, como derrames ou poluição, e Angola não é excepção. Por isso, é provável que a ANPG seja pressionada a garantir que as actividades respeitem as normas ambientais e que os riscos sejam minimizados.

Ainda não se sabe quando o concurso será lançado, mas a expectativa é que a sua abertura seja anunciada nos próximos meses. Até lá, a ANPG terá de esclarecer os critérios de avaliação e os requisitos técnicos que as empresas devem cumprir. A falta de prazos definidos pode atrasar o processo, mas também permite que o Governo ajuste os detalhes consoante as condições do mercado e as necessidades do sector.

Para a economia angolana, o resultado deste concurso poderá ser decisivo. Se as pesquisas forem bem-sucedidas, poderão levar à descoberta de novas reservas, o que aumentaria a produção e reduziria a dependência do Estado em relação a outras fontes de receita. Por outro lado, se os resultados forem limitados, Angola poderá continuar a enfrentar dificuldades para manter os níveis actuais de extracção.

A longo prazo, a estratégia do Governo passa por reduzir a dependência do petróleo, mas enquanto isso não acontece, cada nova reserva descoberta representa uma oportunidade para estabilizar as finanças públicas. O concurso agora lançado pela ANPG é mais um passo nesse sentido, mas o seu sucesso ainda está por confirmar.

Fonte: Correio da Kianda

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