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Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmos 121:1-2

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Por Redacção Angola No Ar

Poder em Angola: o jogo dos 'assim assim' no tabuleiro político

O que define quem fica ou sai do círculo de poder em Angola não é apenas o cargo que ocupa. Um novo grupo, apelidado de 'assim assim', ganhou espaço nos corredores do poder. Estes actores não são nem aliados incondicionais nem opositores declarados, mas mantêm influência suficiente para não serem dispensados sem consequências.

Ilustração conceptual mostrando uma escadaria dividida em três níveis com os rótulos bajuladores, alinhados e a nova categoria dos 'assim assim', ao fundo um edifício governamental de Angola com luz natural
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Nos bastidores da política angolana, uma nova categoria de figuras públicas ganhou relevância nos últimos tempos. São os chamados 'assim assim', um grupo que não se encaixa nas categorias tradicionais de lealdades absolutas ou rejeições totais. Estes actores têm currículo, influência familiar ou peso institucional, o que lhes permite sobreviver às mudanças de vento sem serem empurrados para fora do jogo político.

A classificação surgiu como resposta a um sistema que já não se contenta com posições extremas. Há décadas, a política angolana funcionava com divisões claras: de um lado, os que concordavam em tudo com o poder estabelecido; do outro, os que discordavam em tudo. Entre estes dois extremos, existia um grupo sem voz ou influência. Agora, os 'assim assim' ocupam esse espaço intermédio, estratégico e muitas vezes perigoso.

Os bajuladores continuam no topo da hierarquia. São especialistas em transformar inaugurações em feitos históricos e atrasos em demonstrações de dedicação. Se o chefe chega cedo, é disciplina exemplar. Se chega tarde, é porque trabalhou até tarde pelo país. Se muda de opinião, é flexibilidade. Nunca erram, porque já concordavam antes de a decisão ser tomada. São os que garantem que o sistema funcione sem questionamentos, mesmo quando as acções não correspondem aos resultados prometidos.

Logo a seguir vêm os alinhados. Mais discretos, não brilham tanto, mas também não criam problemas. São os que assinam por baixo sem questionar, os que votam em bloco e os que asseguram o funcionamento das máquinas partidárias sem atritos. Não são bajuladores, mas também não são independentes. Limitam-se a cumprir ordens sem levantar suspeitas, garantindo que o sistema não enfrenta resistências internas.

Entre estes dois grupos, os 'assim assim' negociam espaço. Não são completamente fiáveis, mas também não podem ser ignorados. Têm currículo, têm história familiar ou peso institucional. Não se empurram pela porta fora sem consequências, porque o seu afastamento poderia gerar instabilidade ou descontentamento em sectores-chave. São, acima de tudo, um lembrete de que o poder em Angola não se mede apenas por cargos ou títulos, mas por quem consegue sobreviver às mudanças de vento sem perder relevância.

Esta nova categoria reflecte uma realidade política cada vez mais complexa. Num país onde as alianças mudam com frequência e as lealdades se constroem e desconstroem em semanas, os 'assim assim' são aqueles que conseguem manter-se relevantes sem se comprometerem totalmente. São o reflexo de um sistema que já não acredita em certezas absolutas, mas sim em equilíbrios frágeis e calculados.

A existência destes actores não é exclusiva de Angola. Em outros países africanos, casos semelhantes já foram observados. Nesses contextos, figuras com perfis ambíguos conseguiram manter influência mesmo em períodos de transição política ou crise institucional. A diferença em Angola é a forma como este fenómeno se integra num sistema onde a estabilidade depende, em grande medida, da capacidade de manter actores-chave em posições de poder, mesmo quando as suas lealdades não são absolutas.

O que torna os 'assim assim' tão relevantes é a sua capacidade de adaptação. Num ambiente onde as regras do jogo mudam constantemente, estes actores conseguem navegar entre diferentes correntes sem se comprometerem de forma irreversível. Não são os que lideram as mudanças, mas também não são os que as bloqueiam. São, antes, os que garantem que o sistema não colapse quando as tensões aumentam.

A sua presença levanta questões sobre a saúde do sistema político angolano. Se, por um lado, estes actores ajudam a suavizar conflitos e a manter a coesão, por outro, podem também perpetuar práticas que limitam a inovação e a transparência. Num país que enfrenta desafios económicos e sociais profundos, a existência de um grupo que opera à margem das regras claras pode ser tanto uma vantagem como um entrave ao desenvolvimento.

Os próximos passos dependem, em grande parte, da capacidade do sistema de se adaptar a estas novas dinâmicas. Se os 'assim assim' continuarem a ganhar espaço, poderão tornar-se num elemento permanente da política angolana. Se, por outro lado, o sistema evoluir para um modelo mais transparente e baseado em mérito, este grupo poderá perder relevância. Até lá, continuarão a ser um actor-chave, mesmo que a sua influência não seja sempre visível aos olhos do público.

A verdade é que, em Angola, o poder nunca foi um jogo de regras fixas. Sempre foi um tabuleiro onde os jogadores se movem de acordo com as circunstâncias, e os 'assim assim' são apenas mais uma peça nesse jogo complexo e em constante mudança. O que resta saber é até quando este equilíbrio frágil conseguirá sustentar-se sem gerar mais instabilidade do que estabilidade.

Fonte: Expansão

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