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Por Redacção Angola No Ar

Ngola Kabangu reafirma luta contra o sistema colonial

O veterano líder histórico da UNITA, Ngola Kabangu, reafirmou que a resistência angolana sempre teve como alvo o regime colonial, não o povo português. A declaração foi feita durante uma entrevista ao Jornal de Angola, numa altura em que o país se prepara para celebrar mais um aniversário da Independência.

Fotografia conceptual de um veterano da luta de libertação angolana a discursar, com imagens históricas da época colonial ao fundo
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O combate pela liberdade em Angola nunca foi uma batalha contra pessoas, mas contra estruturas que oprimiam milhões de angolanos durante décadas. Ngola Kabangu, figura central na luta de libertação, deixou isso claro numa recente entrevista ao Jornal de Angola, recordando que a UNITA e os outros movimentos independentistas tinham um inimigo bem definido: o sistema colonial português. "Nunca combatemos o povo português como nação, mas sim o regime que nos explorava", afirmou o antigo dirigente, sublinhando a diferença entre o colonialismo e os cidadãos de qualquer nacionalidade.

A declaração surge num momento em que Angola reflete sobre o seu passado e o legado da guerra de independência. Kabangu, que integrou a Frente Leste durante o conflito, destacou que a luta armada não visava alvos pessoais, mas sim a remoção de um sistema que negava aos angolanos o direito de decidir sobre o seu próprio destino. "O nosso inimigo era o sistema, não as pessoas", reforçou o veterano, numa mensagem que busca desmistificar interpretações históricas sobre o período colonial.

Para muitos angolanos, a independência de 1975 representou o fim de décadas de dominação estrangeira, mas também o início de um novo desafio: construir um país livre de opressões. A reflexão de Kabangu toca num ponto sensível da história angolana, onde a violência do colonialismo deixou marcas profundas em várias gerações. A sua afirmação de que a batalha era pela dignidade e autodeterminação ressoa com os ideais que moveram a luta armada, independentemente da sigla ou grupo envolvido.

A entrevista publicada pelo Jornal de Angola chega num contexto em que a sociedade angolana debate cada vez mais o seu passado, especialmente entre os mais jovens, que não viveram o período colonial. Para esses, ouvir testemunhos como o de Kabangu é uma forma de compreender como a liberdade foi conquistada e o que custou ao povo. O veterano recordou ainda que a resistência angolana não foi um movimento isolado, mas parte de um processo mais amplo que varreu o continente africano na segunda metade do século XX.

Em países como Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, a luta contra o colonialismo também foi marcada por sacrifícios semelhantes. Em Angola, a Frente Leste, onde Kabangu atuou, foi um dos principais focos de resistência, com operações que se estenderam por anos. A estratégia não passava apenas por confrontos armados, mas por uma resistência organizada que envolvia também a mobilização política e social.

A mensagem de Kabangu ganha ainda mais relevância quando se aproxima o Dia da Independência, celebrado a 11 de Novembro. Nesta data, o país relembra não só a proclamação da soberania, mas também os custos humanos e materiais da guerra. A afirmação do líder histórico serve como um lembrete de que a liberdade não foi um presente, mas uma conquista árdua, que exigiu sacrifícios de várias gerações.

Nos últimos anos, tem havido um esforço crescente para preservar a memória da luta de libertação, seja através de museus, documentários ou programas educativos. A entrevista de Kabangu contribui para esse movimento, oferecendo uma perspectiva directa de quem participou activamente no processo. Para os angolanos, especialmente os mais velhos, ouvir estas palavras é reavivar memórias de um tempo em que a unidade era a única força capaz de derrubar um império.

A distinção feita por Kabangu entre o colonialismo e os cidadãos portugueses é também um sinal de maturidade histórica. Em muitos conflitos, a linha entre o regime e o povo pode tornar-se turva, mas em Angola, essa separação foi sempre clara para os líderes independentistas. Isso ajudou a evitar que a luta se transformasse numa guerra étnica ou racial, algo que poderia ter complicado ainda mais a transição para a paz.

Hoje, Angola enfrenta novos desafios, mas a reflexão sobre o passado continua a ser fundamental. A afirmação de Kabangu não é apenas um testemunho pessoal, mas um chamado à sociedade para não esquecer as origens da sua liberdade. Num mundo onde as fronteiras entre nações e povos são cada vez mais fluidas, a sua mensagem ressoa como um apelo à unidade e ao respeito mútuo.

A entrevista ao Jornal de Angola serve também como um lembrete de que a história não é estática. À medida que novas gerações assumem o protagonismo, as interpretações sobre o passado evoluem. Para Kabangu, o mais importante é que a luta pela liberdade nunca foi em vão e que o legado dos que tombaram deve ser honrado com um futuro melhor para todos os angolanos.

Fonte: Google News (Angola)

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