Luibor desce para 12% e facilita acesso ao crédito em Angola
A taxa Luibor, usada pelos bancos para empréstimos entre si, atingiu 12% em julho, o valor mais baixo desde início de 2024. A descida resulta da estratégia do Banco Nacional de Angola de baixar as taxas de juro, iniciada este ano. Com a queda, os empréstimos para habitação, veículos e investimentos tornam-se mais baratos para famílias e empresas.

Desde que o Banco Nacional de Angola (BNA) começou a reduzir as taxas de juro no início de 2025, o mercado financeiro angolano regista mudanças significativas. A Luibor, que serve de referência para os bancos definirem o custo dos créditos, caiu para 12% em julho, o nível mais baixo desde janeiro de 2024. Esta descida não é um fenómeno isolado, mas sim o resultado de uma política monetária mais flexível, adoptada num contexto de inflação em desaceleração em todo o país.
A Luibor funciona como um termómetro do custo do dinheiro entre as instituições financeiras. Quando baixa, os bancos conseguem emprestar a taxas mais baixas aos seus clientes, tornando os empréstimos para habitação, veículos ou investimentos empresariais mais acessíveis. Especialistas do sector destacam que esta tendência pode dar um novo fôlego à economia angolana, facilitando o acesso ao crédito num momento em que muitas famílias e pequenas empresas ainda enfrentam dificuldades financeiras.
A estratégia do BNA de reduzir as taxas de juro tem como objectivo principal aliviar a pressão sobre os encargos das famílias e empresas. Desde que o ciclo de cortes começou, várias instituições bancárias já ajustaram as suas taxas de crédito, beneficiando directamente os clientes. No entanto, os analistas alertam que a evolução futura da Luibor dependerá de factores como a estabilidade da inflação e a confiança dos mercados.
A inflação em Angola tem vindo a desacelerar nos últimos meses, o que permite ao BNA adoptar políticas mais agressivas para estimular a economia. Quando os preços sobem menos, as taxas de juro podem baixar sem aumentar o risco de descontrole inflacionário. Este equilíbrio delicado é fundamental para garantir que a redução do custo do crédito não leve a um novo surto de preços.
Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, com resultados variados. Em alguns casos, a descida das taxas de juro ajudou a reactivar a economia, enquanto noutros levou a um aumento do endividamento das famílias. Em Angola, o BNA mantém uma supervisão apertada sobre o sistema financeiro para garantir que a queda das taxas se traduz em benefícios concretos para a economia real, evitando riscos como o sobre-endividamento ou a especulação.
A redução da Luibor também pode ter impacto no mercado imobiliário. Com taxas de crédito mais baixas, mais pessoas podem ter acesso a financiamento para comprar casa, o que pode impulsionar a construção civil e criar emprego no sector. No entanto, é preciso ter em conta que outros factores, como a oferta de habitação e os preços dos terrenos, também influenciam este mercado.
Para as empresas, especialmente as pequenas e médias, a queda da Luibor representa uma oportunidade de investir em expansão ou modernização. Muitos empreendedores dependem de crédito para comprar equipamentos ou contratar mais trabalhadores, e taxas mais baixas tornam estes projectos mais viáveis. Ainda assim, os especialistas lembram que o acesso ao crédito não depende apenas das taxas de juro, mas também da capacidade das instituições financeiras em avaliar riscos e aprovar financiamentos.
O BNA tem reforçado a supervisão sobre os bancos para garantir que a redução das taxas de juro não leve a uma concessão excessiva de crédito a clientes com pouca capacidade de pagamento. Este controlo é essencial para evitar crises futuras, como já aconteceu em outros países onde a política monetária foi demasiado permissiva.
No curto prazo, a expectativa é que a Luibor continue a descer, acompanhando a política do BNA. No entanto, a trajectória futura dependerá da evolução da inflação, da confiança dos investidores e da estabilidade económica global. Se a inflação voltar a subir, o BNA poderá ser obrigado a inverter a estratégia e subir novamente as taxas de juro.
Os próximos meses serão decisivos para avaliar o impacto real da descida da Luibor na economia angolana. Se os resultados forem positivos, poderá abrir caminho para novas reduções no futuro. Caso contrário, o BNA terá de ajustar a sua política para evitar consequências negativas.
O que está em jogo não é apenas o custo do crédito, mas também a capacidade de Angola continuar a crescer de forma sustentável. Com uma população jovem e em crescimento, o acesso ao financiamento é crucial para criar emprego e reduzir a pobreza. A descida da Luibor é um passo importante, mas só o tempo dirá se será suficiente para transformar a economia do país.
Fonte: Expansão
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