Inflação em Angola cai para 9,33% e regista melhor valor em 12 anos
Pela primeira vez em doze anos, Angola registou uma inflação anual abaixo dos 10%. Em julho, o valor fixou-se nos 9,33%, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística. O resultado representa um marco histórico para a economia angolana, que não atingia números tão baixos desde junho de 2014.

A descida da inflação para um dígito é um sinal positivo para o poder de compra dos angolanos. O Instituto Nacional de Estatística destacou o recuo como um avanço significativo, mas alertou para a necessidade de manter a estabilidade nos próximos meses. Especialistas ouvidos pelo mercado consideram que a redução reflecte um conjunto de políticas económicas implementadas nos últimos anos, embora sublinhem que o desafio agora é consolidar este ritmo.
Em 2023, a taxa anual fechou nos 13,84%, um valor que pressionou fortemente o orçamento das famílias, especialmente em Luanda, onde os preços são tradicionalmente mais altos. A queda para 9,33% é vista como um passo importante, mas os analistas lembram que Angola ainda está longe de níveis ideais. A inflação controlada não significa inflação resolvida, alertam.
O Instituto Nacional de Estatística não detalhou quais os setores que mais contribuíram para a redução, mas é provável que a estabilização de preços em bens essenciais tenha tido um papel decisivo. Nos últimos anos, o governo tem apostado em políticas de contenção de gastos públicos e em parcerias para aumentar a produção local, numa tentativa de reduzir a dependência de importações. A estratégia inclui também acordos com o sector privado para dinamizar a indústria nacional e evitar a escassez de produtos.
Para as famílias angolanas, a notícia chega num momento em que o custo de vida continua a ser uma preocupação diária. Embora a descida da inflação possa aliviar um pouco a pressão sobre os orçamentos familiares, os preços dos produtos básicos ainda pesam no dia a dia. Em Luanda, onde os custos são mais elevados, a redução pode fazer diferença, mas não resolve o problema estrutural de acesso a bens essenciais.
Ainda é cedo para celebrar, pois os economistas avisam que a inflação pode voltar a subir se não forem mantidas as políticas correctas. A meta do governo é continuar a reduzir a taxa nos próximos meses, mas o caminho exige disciplina fiscal e investimento consistente em setores produtivos. A experiência de outros países mostra que descidas rápidas nem sempre se mantêm sem um plano sólido de longo prazo.
Nos últimos anos, Angola tem enfrentado desafios económicos complexos, desde a queda do preço do petróleo até à necessidade de diversificar a economia. A inflação alta foi um dos principais problemas, afectando directamente o poder de compra e a confiança dos consumidores. A descida actual é um sinal de que as medidas adoptadas estão a surtir efeito, mas os especialistas sublinham que é preciso mais do que um mês de resultados positivos para mudar uma tendência de anos.
O cenário actual contrasta com o de 2014, quando o país registou a última vez uma inflação abaixo dos 10%. Na altura, a economia angolana ainda dependia fortemente das receitas petrolíferas, e os preços dos produtos importados eram muito sensíveis às flutuações do mercado internacional. Hoje, embora o petróleo continue a ser importante, o governo tem procurado reduzir a dependência externa e incentivar a produção local.
Ainda assim, os desafios persistem. A inflação controlada não significa que os preços tenham descido para níveis acessíveis para todos. Muitas famílias continuam a lutar para equilibrar as despesas, especialmente aquelas que dependem de rendimentos fixos. A redução da inflação é um passo na direcção certa, mas não resolve por si só os problemas de desigualdade e acesso a serviços básicos.
Os próximos meses serão decisivos para perceber se a tendência se mantém. O governo tem vindo a reforçar a fiscalização nos mercados e a incentivar a produção nacional, mas os resultados dependem também da estabilidade do mercado internacional e da capacidade de resposta da economia angolana. A inflação baixa é um objectivo claro, mas a sua manutenção exige um trabalho contínuo e coordenado entre várias áreas.
Para os angolanos, a notícia é um alívio, mas não uma solução definitiva. A descida da inflação pode trazer algum alívio imediato, mas a verdadeira mudança depende de políticas públicas consistentes e de um ambiente económico mais estável. Até lá, as famílias continuam a adaptar-se a um cenário em que os preços ainda são um factor de incerteza no dia a dia.
Fonte: Correio da Kianda
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