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Por Redacção Angola No Ar

IGAPE tranquiliza investidores sobre segurança das acções da Unitel

O Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) veio a público na quarta-feira, 29 de Outubro, garantir que a compra de títulos da Unitel pelos cerca de 11 mil acionistas não apresenta riscos. A instituição assegura que as participações adquiridas na recente Oferta Pública de Venda estão protegidas, mesmo com acções judiciais em curso contra a decisão de nacionalização de quotas pelo Estado.

Gráficos de cotações financeiras com antenas de telecomunicações no horizonte de Luanda
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A garantia do IGAPE surge num momento em que o mercado de capitais angolano enfrenta incertezas provocadas por processos judiciais movidos por antigos sócios da operadora de telecomunicações. Estes acionistas contestam a legalidade da nacionalização de partes da empresa, o que levou muitos investidores a questionar a segurança das suas aquisições recentes. A instituição pública reforça, no entanto, que o processo de venda cumpriu todos os requisitos legais angolanos, assegurando que as participações estão juridicamente protegidas.

A operação de venda, que permitiu a entrada de milhares de cidadãos e empresas na estrutura societária da Unitel, representa um marco na estratégia do Governo para expandir o mercado de capitais no país. Até agora, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) registou um aumento significativo no número de investidores individuais, um sinal de que a população começa a confiar mais nas oportunidades oferecidas pelo sistema financeiro nacional.

Os receios dos investidores não são exclusivos de Angola. Em outros países africanos, operações semelhantes de privatização ou venda de acções em bolsa já geraram contestações judiciais, embora a maioria tenha sido resolvida em favor da legalidade dos processos. Historicamente, os tribunais tendem a validar as decisões estatais quando estas seguem os procedimentos estabelecidos, o que reforça a posição do IGAPE. Ainda assim, a incerteza jurídica prolongada pode afastar potenciais investidores, especialmente aqueles menos familiarizados com os mecanismos do mercado angolano.

A Unitel, como maior operadora de rede móvel do país, desempenha um papel central na economia digital angolana. A sua privatização parcial não só diversifica a estrutura accionista como também pode atrair novos investimentos para o sector das telecomunicações. Especialistas ouvidos em programas de análise económica destacam que a transparência nos processos de venda é fundamental para manter a confiança dos mercados, especialmente num contexto em que o Estado angolano procura reduzir a sua presença directa em empresas estratégicas.

A integração da Unitel na BODIVA, que ocorreu há poucos meses, foi apresentada como um passo importante para modernizar o mercado financeiro angolano. A bolsa, que já permitiu a negociação de títulos públicos e privados, passa agora a incluir uma das empresas mais relevantes do país, o que pode incentivar outras companhias a seguirem o mesmo caminho. No entanto, a decisão de privatizar parte da Unitel não foi isenta de polémica, uma vez que alguns analistas questionam se o Estado angolano não estaria a perder uma fonte estável de receitas num sector em crescimento.

Para os cerca de 11 mil novos acionistas, a garantia do IGAPE é um alívio, mas a situação jurídica ainda não está completamente resolvida. Os processos movidos pelos antigos sócios podem arrastar-se por meses ou até anos, o que mantém alguma incerteza sobre o futuro da empresa. Mesmo assim, o Governo angolano insiste que os direitos dos novos investidores estão protegidos e que qualquer decisão judicial que contrarie o processo de venda será contestada.

A estratégia de privatizações em Angola tem vindo a ganhar ritmo nos últimos anos, com várias empresas estatais a passarem para mãos privadas. O objectivo é reduzir a dívida pública e melhorar a eficiência das empresas, embora alguns críticos argumentem que o processo tem sido demasiado lento. A venda de acções da Unitel é vista como um teste para futuras operações, uma vez que o sucesso ou fracasso desta iniciativa pode influenciar a disposição de outros investidores em participar em novas ofertas.

Os próximos meses serão decisivos para perceber se a confiança no mercado de capitais angolano se mantém ou se, pelo contrário, a incerteza jurídica levará a uma retracção dos investidores. Enquanto isso, o IGAPE continua a monitorizar a situação e a assegurar que todos os procedimentos foram cumpridos. Para os novos acionistas, a única certeza é que, por enquanto, as suas participações estão seguras — pelo menos até que os tribunais se pronunciem definitivamente sobre os processos em curso.

Ainda assim, a experiência da Unitel serve como um exemplo prático de como o mercado angolano pode evoluir, desde que haja transparência e respeito pelas regras. Se o processo for bem-sucedido, poderá abrir portas para novas privatizações e, consequentemente, para um mercado de capitais mais dinâmico e atrativo para investidores nacionais e estrangeiros.

Fonte: Correio da Kianda

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