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Por Redacção Angola No Ar

Governo angolano prepara fiscalização de barcos de pesca artesanal

O Executivo angolano anunciou planos para fiscalizar as embarcações usadas na pesca artesanal em todo o país. A decisão surge após anos de alertas sobre as más condições de muitos barcos, que põem em risco a vida dos pescadores. A ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, sublinhou a urgência da medida para proteger os profissionais do mar.

Barcos de pesca artesanal em más condições numa praia angolana ao pôr do sol, com redes e estruturas de madeira desgastadas
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A pesca artesanal em Angola enfrenta um desafio que se arrasta há décadas: a falta de fiscalização sobre as condições das embarcações. Muitos pescadores operam em barcos velhos, sem manutenção adequada ou equipamentos de segurança básicos. Este cenário não só coloca vidas em perigo, como contribui para a desorganização de um sector que sustenta milhares de famílias ao longo da costa angolana. O Governo decidiu agir, anunciando um plano para garantir que todas as embarcações cumpram normas mínimas de segurança e manutenção.

A pesca artesanal representa uma fatia significativa da produção pesqueira nacional, estimada em cerca de um terço do total. Esta actividade é especialmente importante para comunidades costeiras, onde a pesca tradicional é uma das poucas fontes de rendimento disponíveis. No entanto, o sector enfrenta obstáculos estruturais que vão além da falta de fiscalização. A concorrência com a pesca industrial, que opera com embarcações modernas e equipamentos avançados, deixa os pescadores artesanais em desvantagem. Além disso, a falta de investimento público e privado agrava a situação, mantendo muitos profissionais em condições precárias.

A ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, admitiu que a situação preocupa as autoridades há muito tempo. Segundo ela, os barcos em más condições não só põem em risco os pescadores, como também prejudicam a imagem do sector perante o mercado. A pesca artesanal angolana tem potencial para crescer, mas precisa de condições mínimas para se desenvolver de forma sustentável. A nova fiscalização surge como uma resposta a este problema, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre como será implementada.

As comunidades piscatórias já começaram a reagir às notícias. Muitos pescadores reconhecem que muitos barcos estão em estado deplorável, mas alegam que não têm recursos para substituí-los. A falta de acesso a crédito ou apoios governamentais torna a transição para embarcações seguras ainda mais difícil. Alguns admitem que, sem ajuda, serão obrigados a continuar a trabalhar em condições perigosas. A situação é especialmente crítica em províncias como Luanda e Benguela, onde a pesca artesanal é mais intensa.

O Executivo garante que a fiscalização não será feita de forma abrupta ou punitiva. Em vez disso, as autoridades prometem estudar formas de apoiar os pescadores na transição para embarcações mais seguras. A intenção é proteger os profissionais do mar sem prejudicar a sua actividade económica. No entanto, resta saber como será estruturado este apoio e se será suficiente para cobrir as necessidades do sector.

Este problema não é exclusivo de Angola. Em vários países africanos, a pesca artesanal enfrenta desafios semelhantes, com governos a implementar medidas para modernizar o sector. Em alguns casos, foram criados programas de substituição de embarcações velhas por modelos mais seguros, com apoio financeiro e técnico. Outros países optaram por fiscalizações mais rigorosas, multando ou interditando barcos que não cumpram as normas. A abordagem angolana parece combinar estas duas estratégias, embora ainda não esteja claro como será aplicada na prática.

A pesca artesanal é uma actividade económica vital para muitas famílias angolanas. Além de fornecer alimento para o mercado interno, este sector gera emprego e sustenta comunidades inteiras. No entanto, a falta de organização e fiscalização tem limitado o seu potencial. A nova medida do Governo poderá ser um passo importante para mudar este cenário, mas o sucesso dependerá da forma como será implementada e do apoio dado aos pescadores.

As autoridades prometem que a fiscalização será feita de forma gradual, dando tempo aos pescadores para se adaptarem. No entanto, a urgência da situação exige acção rápida. Muitos barcos já operam há anos sem condições mínimas de segurança, e cada dia de atraso representa um risco adicional para os profissionais do mar. A fiscalização poderá começar ainda este ano, mas ainda não há um calendário definido.

A pesca artesanal angolana tem um papel importante na segurança alimentar do país. Além de fornecer peixe fresco para o mercado local, este sector contribui para a redução da pobreza em zonas costeiras. No entanto, para que possa crescer e se tornar mais competitiva, é necessário investir em modernização e fiscalização. A nova medida do Governo poderá ser o início de uma mudança, mas o sucesso dependerá de vários factores, incluindo o apoio dado aos pescadores e a eficácia da fiscalização.

Os próximos meses serão decisivos para perceber como será aplicada a nova fiscalização. As autoridades prometem diálogo com as comunidades piscatórias, mas o tempo dirá se esta abordagem será suficiente para resolver um problema que se arrasta há anos. Enquanto isso, os pescadores continuam a trabalhar em condições difíceis, na esperança de que as mudanças prometidas cheguem a tempo de os proteger.

Fonte: Correio da Kianda

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