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Por Redacção Angola No Ar

Okavango recebe 73 milhões de dólares para virar pólo turístico

O Governo angolano vai aplicar 73 milhões de dólares no desenvolvimento do Pólo de Desenvolvimento Turístico do Okavango, na província do Cuando Cubango. A decisão foi anunciada pelo Presidente da República durante a última reunião do Conselho de Ministros. O objectivo é transformar a região num destino de referência, aproveitando a biodiversidade local.

Vista aérea de zona alagada do Okavango com estruturas de ecoturismo em construção, vegetação densa e animais ao fundo
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O projecto anunciado pelo Executivo angolano não é apenas mais um plano de investimento. Representa uma mudança de estratégia no sector do turismo, um dos ramos da economia que Angola tem tentado impulsionar nos últimos anos. Até agora, o país tem apostado sobretudo em eventos culturais e em alguns pontos turísticos costeiros, mas o potencial do interior — especialmente em províncias como o Cuando Cubango — tem sido pouco explorado. A região do Okavango, com o seu rio e a sua fauna, oferece condições únicas que ainda não foram aproveitadas em larga escala.

As obras previstas incluem a construção de estradas para ligar os principais pontos da zona, unidades de alojamento para visitantes e estruturas de apoio, como restaurantes e centros de informação. Segundo o comunicado oficial, o investimento faz parte de uma estratégia mais ampla para diversificar a economia angolana, que ainda depende demasiado do sector petrolífero. A criação de emprego na província é outro dos objectivos declarados, numa região onde as oportunidades de trabalho são escassas.

O projecto será executado em várias fases, começando pelas infraestruturas mais básicas. O Governo não avançou prazos concretos para a conclusão das obras, mas garantiu que o acompanhamento será feito por entidades públicas e privadas. Esta abordagem mista é comum em projectos de grande dimensão em Angola, onde o Estado muitas vezes não tem capacidade para assumir sozinho os custos e a gestão.

A região do Okavango não é desconhecida dos angolanos. Há décadas que se fala do seu potencial turístico, mas até agora pouco foi feito para o concretizar. A falta de acessos adequados e a ausência de estruturas para receber visitantes têm sido os principais obstáculos. Outros países africanos já tentaram desenvolver regiões semelhantes, com resultados variados. Em alguns casos, os projectos avançaram lentamente devido à falta de planeamento ou à instabilidade política. Em outros, a exploração turística trouxe benefícios económicos significativos para as comunidades locais.

O plano do Governo angolano insere-se num esforço mais alargado para reabilitar outros pólos turísticos do país. Nos últimos anos, têm sido anunciados investimentos em várias províncias, mas muitos desses projectos ainda não saíram do papel. A reabilitação de infraestruturas antigas e a criação de novas condições para os visitantes são desafios que Angola enfrenta há muito tempo. A dependência de financiamento externo e a burocracia são factores que atrasam a execução de muitos planos.

O Ministério do Turismo e do Ambiente, responsável pelo projecto, ainda não esclareceu de onde virão exactamente os 73 milhões de dólares. Também não foram divulgados os critérios que serão usados para seleccionar as empresas responsáveis pelas obras. Estas informações são importantes para que a população e os investidores possam acompanhar o desenvolvimento do projecto com transparência.

A transformação do Okavango num pólo turístico pode trazer mudanças significativas para a província do Cuando Cubango. Além da criação de emprego directo nas novas infraestruturas, espera-se um aumento da actividade económica local, com impacto nos sectores da restauração, do comércio e dos serviços. A região poderá ainda atrair mais visitantes internacionais, que já mostram interesse em destinos naturais africanos com potencial ecológico.

No entanto, o sucesso do projecto depende de vários factores. A manutenção das infraestruturas após a conclusão das obras é um deles. Em muitos casos, estruturas turísticas em Angola acabam por ficar abandonadas devido à falta de gestão ou de recursos para a sua conservação. Outro desafio é garantir que os benefícios cheguem às comunidades locais, evitando que o turismo se concentre apenas em empreendimentos isolados.

O Governo angolano tem vindo a reconhecer a importância do turismo como alternativa económica. Nos últimos anos, têm sido feitos esforços para melhorar a imagem do país no exterior e atrair mais visitantes. A aposta no Okavango pode ser um passo importante nesse sentido, desde que o projecto seja bem planeado e executado. A região tem tudo para se tornar num destino único, mas o caminho até lá exige mais do que apenas dinheiro: exige visão, coordenação e compromisso a longo prazo.

Se o projecto avançar como anunciado, poderá servir de exemplo para outros investimentos no sector. A diversificação da economia angolana é um objectivo que o país persegue há anos, mas que ainda não foi totalmente alcançado. O turismo pode ser uma das chaves para mudar este cenário, desde que os recursos sejam usados de forma eficiente e os resultados sejam visíveis para todos.

Fonte: Correio da Kianda

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