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Economia
Por Redacção Angola No Ar

Fundo angolano apoia empresas que geram emprego no continente

Um novo fundo de investimento está a apostar em empresas africanas que criam postos de trabalho para os seus cidadãos. A iniciativa, que também incentiva a exportação de produtos locais, quer aumentar os rendimentos dos trabalhadores e fortalecer a economia do continente. Um dos responsáveis pelo projecto explica como esta abordagem pode mudar o futuro de milhões de pessoas.

Trabalhadores africanos em empregos internacionais
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O continente africano enfrenta um desafio constante: criar empregos suficientes para uma população jovem e em crescimento. Segundo especialistas, mais de metade dos africanos têm menos de 25 anos, o que torna urgente encontrar soluções que gerem oportunidades económicas estáveis. Nesse contexto, surgiu o Africa Jobs Fund, um projecto que apoia empresas capazes de contratar mão-de-obra local em larga escala. A iniciativa não se limita a financiar negócios, mas também a ligar empreendedores a mercados onde a procura por produtos africanos é maior.

O fundo tem dois eixos principais de actuação. O primeiro centra-se na mobilidade laboral internacional, ou seja, ajudar trabalhadores africanos a encontrar emprego em países onde a mão-de-obra qualificada é escassa. O segundo foca-se na manufactura para exportação, apoiando indústrias que produzem bens para vender fora do continente. Esta abordagem não só cria empregos, como também aumenta os rendimentos dos trabalhadores, permitindo-lhes melhorar as suas condições de vida.

Um dos nomes por trás desta iniciativa é Daniel Yu, sócio-fundador do Africa Jobs Fund. Antes de se dedicar ao fundo, Yu já tinha experiência no sector quando fundou a Wasoko, uma empresa que ligava vendedores informais na África Oriental a fornecedores de bens essenciais. O sucesso da Wasoko levou à sua fusão com a MaxAB, uma plataforma egípcia de distribuição, em 2024. Após anos a gerir estas empresas, Yu decidiu dedicar-se ao Africa Jobs Fund, onde aplica o conhecimento adquirido para impulsionar a criação de emprego no continente.

A saída de Yu da gestão diária da Wasoko/MaxAB não significou o fim da sua carreira empreendedora. Pelo contrário, abriu espaço para que se concentrasse em projectos com impacto social mais amplo. Em entrevista, Yu destacou que a inteligência artificial está a transformar o mercado de trabalho, tornando ainda mais necessário apoiar iniciativas que preparem os trabalhadores para as novas exigências do mercado. Para ele, o Africa Jobs Fund representa uma forma de combater o desemprego e a informalidade, dois problemas que afectam milhões de africanos.

A ideia de investir em empresas que geram emprego não é nova em África. Ao longo dos anos, vários países do continente têm criado programas semelhantes, embora com abordagens distintas. Alguns governos oferecem incentivos fiscais a empresas que contratem jovens, enquanto outros apostam em parcerias público-privadas para desenvolver sectores estratégicos. O Africa Jobs Fund diferencia-se por focar tanto na mobilidade laboral como na exportação, duas áreas onde o potencial de crescimento é ainda pouco explorado.

O impacto de iniciativas como esta pode ser significativo. Em países onde o desemprego juvenil ultrapassa os 30%, programas que facilitam o acesso ao emprego ou à formação profissional são essenciais. Além disso, ao apoiar a exportação de produtos locais, o fundo contribui para reduzir a dependência de importações e fortalecer a economia regional. Especialistas em desenvolvimento económico sublinham que estas medidas não só melhoram a vida dos trabalhadores, como também atraem mais investimento estrangeiro para o continente.

No entanto, o sucesso de projectos como o Africa Jobs Fund depende de vários factores. Um deles é a capacidade das empresas apoiadas de se manterem competitivas num mercado global cada vez mais exigente. Outro desafio é garantir que os trabalhadores beneficiados tenham acesso a formação contínua, especialmente à medida que a tecnologia avança. Yu, que já enfrentou estes obstáculos na sua carreira, acredita que a chave está em combinar investimento com apoio técnico às empresas.

Para os jovens que estão a entrar no mercado de trabalho, o cenário actual pode parecer desanimador. A automação e a inteligência artificial estão a transformar muitos sectores, tornando algumas profissões obsoletas. Neste contexto, iniciativas que promovem a empregabilidade e a adaptação às novas tecnologias são mais importantes do que nunca. O Africa Jobs Fund não resolve todos os problemas, mas oferece uma alternativa concreta para quem procura uma oportunidade no mercado de trabalho.

A longo prazo, projectos como este podem ajudar a redefinir a economia africana. Ao criar empregos estáveis e aumentar os rendimentos, as populações locais ganham poder de compra, o que impulsiona outros sectores, como o comércio e os serviços. Além disso, ao exportar produtos africanos, o continente reduz a sua dependência de mercados externos e fortalece a sua posição no comércio internacional.

A iniciativa ainda está em fase inicial, mas já demonstra que é possível combinar lucro com impacto social. Se conseguir escalar, poderá servir de modelo para outros países que enfrentam desafios semelhantes. O futuro da economia africana depende, em grande parte, da capacidade de criar oportunidades para os seus cidadãos. E projectos como o Africa Jobs Fund mostram que, com a estratégia certa, esse objectivo é alcançável.

Fonte: How we made it in Africa

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