UniteI volta a funcionar após ataque cibernético
A Unitel, maior operadora de telecomunicações de Angola, retomou parcialmente os serviços após um ataque cibernético que interrompeu as suas plataformas digitais. Em Luanda, filas intermináveis formaram-se nos bancos devido à impossibilidade de realizar transações eletrónicas. Negócios paralisados e pagamentos adiados são algumas das consequências imediatas do incidente.

Desde que a Unitel foi alvo de um ataque informático na semana passada, os seus serviços digitais mantêm-se instáveis em várias zonas de Luanda. A falta de acesso à internet e às transações eletrónicas obrigou centenas de cidadãos a deslocarem-se aos balcões bancários para resolverem pagamentos e levantamentos em dinheiro vivo. A situação afeta não só comerciantes e profissionais liberais, como também estudantes e famílias que dependem de serviços essenciais.
Nas filas à entrada das agências, sobretudo em bairros como Viana, a instabilidade nos serviços digitais transformou-se num problema diário. Negócios que dependem de pagamentos eletrónicos viram-se obrigados a parar, enquanto dívidas se acumulam por falta de liquidez imediata. A estudante Madalena Francisco, de 21 anos, aguardava há mais de uma hora para resolver problemas nos seus empreendimentos. Sem acesso ao Multicaixa Express, a aplicação que permite pagamentos sem cartão, a jovem explicou que as suas transações estão bloqueadas. "Os meus negócios estão parados porque não consigo receber nem fazer pagamentos. Tenho dívidas que não precisavam de existir se a rede estivesse a funcionar", desabafou.
O pasteleiro Mauro Machado, de 27 anos, sentiu na pele o impacto da quebra nos serviços. O seu trabalho depende de aplicações de pagamento, mas a instabilidade na internet tornou o dinheiro físico a única opção viável. "Agora, o dinheiro físico é mais vantajoso. Consigo pagar o que quero sem depender da rede", afirmou. A situação forçou muitos profissionais a adaptarem-se rapidamente, recorrendo a métodos tradicionais para manterem as suas atividades.
A Unitel classificou o ataque como "deliberado e malicioso" e prometeu restaurar os serviços completamente. No entanto, a lentidão na recuperação agravou a frustração dos utilizadores. Telma Fernandes, outra estudante, revelou que até o seu cartão Multicaixa não funciona para transações habituais. "Tenho de ir ao banco para levantar dinheiro, porque não consigo usar os serviços digitais", contou. A dependência dos sistemas digitais tornou-se um problema real para quem precisa de resolver assuntos urgentes.
A situação afeta não só os negócios, mas também serviços essenciais. Matrículas escolares e pagamentos de dívidas estão entre as atividades prejudicadas pela falta de acesso às plataformas digitais. Em tempos de crise, a confiança nos sistemas online pode abalar-se rapidamente, levando os cidadãos a procurarem alternativas mais lentas, mas mais fiáveis.
Este tipo de incidentes não é exclusivo de Angola. Em outros países africanos, casos semelhantes já levaram a operadoras a reforçar os seus sistemas de segurança. A crescente digitalização dos serviços financeiros torna os ataques cibernéticos uma ameaça constante, obrigando as empresas a investirem em proteção e redundância. A Unitel, como principal operadora do país, enfrenta agora o desafio de recuperar a confiança dos utilizadores enquanto reforça a sua infraestrutura.
Para os cidadãos, a lição é clara: a dependência excessiva de sistemas digitais pode ser arriscada. Muitos passaram a valorizar mais o dinheiro físico e os contactos presenciais, mesmo que isso signifique filas e tempo perdido. A situação também expôs a vulnerabilidade de pequenos negócios que não têm margem para lidar com interrupções prolongadas.
A Unitel garante que os serviços serão totalmente restaurados em breve, mas o impacto já se fez sentir. Enquanto isso, os angolanos adaptam-se, aprendendo a lidar com a incerteza dos sistemas digitais. A confiança, uma vez abalada, demora a ser reconstruída.
A longo prazo, este episódio pode acelerar a adoção de medidas de segurança mais robustas por parte das operadoras e instituições financeiras. A digitalização é inevitável, mas a sua fiabilidade depende de investimentos contínuos em tecnologia e proteção de dados. Até lá, os cidadãos continuarão a enfrentar os desafios de um sistema que, por vezes, falha quando mais é necessário.
Fonte: Folha 8
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