Fazenda Filomena duplica produção de ovos em Angola
A Fazenda Filomena anunciou, no último fim de semana, que passou a produzir um milhão de ovos por dia nas suas instalações em Ícolo e Bengo. O marco foi revelado durante a 41ª Feira Internacional de Angola, onde a empresa reforçou os seus planos de expansão no sector avícola nacional.

A notícia representa um salto significativo para o mercado angolano, que até então dependia fortemente de importações para suprir a procura interna. Segundo a responsável de vendas da empresa, Gemima Suzana, este volume diário cobre cerca de 30% do consumo nacional, um número que reflecte a crescente aposta na produção local. A distribuição é assegurada por várias marcas da unidade fabril, que abastecem comerciantes grossistas e retalhistas em todo o país, garantindo um fornecimento mais estável e acessível para as famílias angolanas.
A empresa, que já opera com a marca Frango da Banda, tem uma capacidade diária de 30 mil aves, entre frescas e congeladas. Para responder ao aumento da procura, a direcção da fazenda anunciou a abertura de uma nova linha de produção industrial, um investimento que promete reforçar ainda mais a sua presença no mercado. Este movimento surge num contexto em que o sector avícola angolano enfrenta desafios como a concorrência de produtos importados e a necessidade de modernizar as suas infraestruturas.
A Fazenda Filomena não se limita à produção de ovos. A sua estrutura cobre toda a cadeia de valor no território nacional, desde a fabricação de rações e fertilizantes até à produção de pintos e ao processamento final. A fábrica interna de rações, por exemplo, não só supre as necessidades próprias da empresa como também fornece outros criadores do sector, contribuindo para o desenvolvimento de uma rede mais integrada e sustentável. Este modelo verticalizado permite à empresa reduzir custos e garantir maior controlo sobre a qualidade dos produtos, um factor cada vez mais valorizado pelos consumidores.
A participação na Feira Internacional de Angola serviu para consolidar parcerias e preparar novos contratos comerciais. O objectivo é reforçar o fornecimento de alimentos nos principais centros urbanos do país, onde a procura por proteínas animais tem vindo a aumentar devido ao crescimento populacional e à melhoria gradual do poder de compra das famílias. Em Luanda, por exemplo, o consumo de ovos já supera a média nacional, reflectindo a densidade populacional e a dinâmica económica da província.
O sector avícola angolano tem vindo a ganhar relevância nos últimos anos, impulsionado por políticas públicas que incentivam a produção local e a redução da dependência externa. Empresas como a Fazenda Filomena têm aproveitado este ambiente favorável para expandir as suas operações, investindo em tecnologias mais eficientes e na formação de mão-de-obra especializada. No entanto, o caminho não é isento de obstáculos. A falta de infraestruturas logísticas adequadas e os custos elevados de energia ainda representam desafios significativos para muitos produtores.
Comparativamente a outros países africanos, Angola ainda está a dar os primeiros passos no desenvolvimento do seu sector avícola. Noutros mercados, como a África do Sul e o Quénia, a produção local já responde por mais de 60% da procura interna, graças a investimentos contínuos e a políticas de apoio ao sector. Em Angola, o potencial é enorme, mas a transição para uma maior autossuficiência ainda requer tempo e recursos. A Fazenda Filomena, com a sua capacidade actual, é um exemplo de como é possível aliar inovação e tradição para impulsionar a economia nacional.
Para os consumidores, a expansão da produção local traz benefícios imediatos. Além de preços mais acessíveis, a oferta de ovos frescos e de qualidade torna-se mais constante, reduzindo a dependência de produtos importados que, por vezes, chegam ao mercado com prazos de validade reduzidos. A empresa já tem planos para ampliar a sua rede de distribuição, chegando a províncias onde a oferta de ovos ainda é limitada, como o Cuando Cubango e o Moxico.
Os próximos passos da Fazenda Filomena incluem a conclusão da nova linha de produção e a diversificação da sua gama de produtos. Além de ovos, a empresa já trabalha com outras proteínas animais e planeia introduzir novas linhas de processados, como ovos em conserva e produtos pré-cozidos. Este movimento insere-se numa estratégia mais ampla de diversificação, que visa não só aumentar as receitas como também consolidar a marca no mercado angolano.
A aposta na produção local é um sinal claro de que Angola está a caminhar para uma maior autonomia alimentar. Embora o caminho seja longo, iniciativas como esta da Fazenda Filomena mostram que o país tem potencial para se tornar um player relevante no sector avícola africano. Com mais investimentos e políticas de apoio, o futuro da produção de ovos em Angola pode ser ainda mais promissor, beneficiando não só as empresas como também os milhões de angolanos que dependem destes alimentos no seu dia a dia.
Fonte: ANGOP
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