Angola e África sofrem com falta de dados nos seguros
O mercado de seguros em África não consegue crescer como devia por falta de dados fiáveis. Em Angola, a situação é ainda mais grave e deixa milhões de pessoas e empresas sem proteção. Sem informação detalhada, as seguradoras não conseguem avaliar riscos com precisão, o que torna os serviços caros e inacessíveis para a maioria.

O sector dos seguros em África enfrenta um dos seus maiores desafios: a ausência de dados actualizados e detalhados. Sem números confiáveis, as empresas do ramo não conseguem calcular riscos de forma segura, o que leva a coberturas limitadas e preços elevados. A Organização Africana de Seguros já alertou várias vezes para este problema, que trava o desenvolvimento do mercado no continente.
Em Angola, a situação é ainda mais preocupante. O país depende fortemente de informações externas para operar, o que agrava a falta de dados locais. A baixa cultura de seguros no território também contribui para que o mercado não consiga expandir-se como deveria. Enquanto outros países africanos já começaram a investir em sistemas de recolha e análise de dados, Angola ainda luta para criar uma base de informações sólida.
A falta de dados afecta especialmente os micro e pequenos negócios. Sem acesso a informações precisas sobre riscos, as seguradoras são obrigadas a aumentar as margens de segurança nos preços. Isso torna as apólices inacessíveis para a maioria da população, que acaba por ficar sem proteção. Em países onde a maioria das famílias e empresas não tem acesso a seguros, a exclusão financeira torna-se ainda mais evidente.
O problema não se limita apenas à falta de dados. A precificação incerta e os custos elevados de resseguro também dificultam a vida das seguradoras. Sem uma base de informações confiável, as empresas do sector são obrigadas a assumir riscos maiores, o que se reflecte em preços mais altos para os clientes. Em Angola, onde a maioria das famílias vive com rendimentos baixos, a situação é crítica.
A Organização Africana de Seguros já destacou que a taxa de penetração dos seguros no continente ronda apenas 1 a 3% do PIB. Em Angola, esse número é ainda menor, o que reflecte a dificuldade do mercado em crescer. A falta de dados não só impede o desenvolvimento do sector, como também limita o acesso a proteção para milhões de pessoas.
Para resolver este problema, especialistas do ramo defendem que é necessário investir em sistemas de recolha e análise de dados. Sem uma base de informações actualizada, as seguradoras não conseguem oferecer serviços mais acessíveis e personalizados. Em países onde já foram implementados sistemas semelhantes, os resultados começaram a aparecer, com um aumento gradual na penetração dos seguros.
A situação em Angola exige acção urgente. O Governo e as empresas do sector precisam de trabalhar em conjunto para criar uma base de dados nacional que permita às seguradoras avaliar riscos com maior precisão. Sem isso, o mercado continuará limitado, e milhões de angolanos e empresas ficarão sem proteção.
Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado. Em algumas nações, a criação de bases de dados nacionais ajudou a reduzir os custos dos seguros e a aumentar a confiança dos consumidores. Em Angola, a implementação de um sistema semelhante poderia trazer mudanças significativas, mas o processo exige investimento e vontade política.
A falta de dados também afecta a confiança dos consumidores. Quando as pessoas não têm acesso a informações claras sobre os serviços disponíveis, é natural que hesitem em contratar seguros. Em Angola, onde a cultura de seguros ainda é baixa, este problema torna-se ainda mais grave. A educação financeira e a divulgação de informações sobre os benefícios dos seguros são essenciais para mudar esta realidade.
O sector segurador angolano enfrenta, assim, um duplo desafio: a falta de dados e a baixa cultura de seguros. Para superar estas barreiras, é necessário um esforço conjunto entre o Governo, as seguradoras e a sociedade civil. Sem uma base de dados sólida e uma maior consciencialização da população, o mercado não conseguirá crescer como deveria.
A situação actual reflecte um problema mais amplo em África. Sem dados fiáveis, o desenvolvimento do sector dos seguros no continente será sempre limitado. Em Angola, a urgência é ainda maior, dada a dependência de informações externas e a baixa cultura de seguros. A solução passa por investir em sistemas de recolha de dados e em campanhas de educação financeira, para que o mercado possa finalmente expandir-se e oferecer proteção a quem mais precisa.
Fonte: Expansão
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