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Por Redacção Angola No Ar

FAAND homenageia Archer Mangueira com título honorário

A Federação Angolana de Andebol (FAAND) distinguiu o governador do Namibe, Archer Mangueira, com o título de presidente honorário no último sábado. A cerimónia, que decorreu em Luanda, celebrou o legado do dirigente no desenvolvimento do andebol nacional durante a primeira década dos anos 2000.

Medalha de mérito desportivo ao lado de uma bola de andebol em cima de uma mesa de madeira num pavilhão.
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A homenagem prestada a Archer Mangueira não foi um acto isolado, mas sim o reconhecimento de um trabalho que moldou o andebol angolano nos últimos vinte anos. Entre 2001 e 2008, o dirigente liderou a federação com uma abordagem que combinava gestão administrativa eficiente e uma estratégia clara de projeção internacional da modalidade. Na altura, o desporto angolano enfrentava desafios como a falta de infraestruturas adequadas e a necessidade de formar novos talentos, mas a equipa liderada por Mangueira conseguiu inverter essa tendência em várias frentes.

O impacto dessa gestão refletiu-se logo nos resultados desportivos. A seleção masculina, por exemplo, ultrapassou a barreira das fases de grupos em competições continentais pela primeira vez, alcançando o terceiro lugar no Campeonato Africano de 2004. Esse feito não foi apenas simbólico: abriu portas para que mais jogadores angolanos fossem observados por clubes estrangeiros e para que o país passasse a ser visto como uma potência emergente no continente. A equipa feminina, por sua vez, conseguiu um marco histórico ao garantir a sétima posição no Campeonato do Mundo de 2007, um feito que ainda hoje é recordado como um dos momentos mais altos do desporto feminino angolano.

A cerimónia de homenagem, realizada no anfiteatro Paulo Bunze, não se limitou a Archer Mangueira. Um total de 47 personalidades do desporto receberam medalhas de mérito, numa demonstração de que o andebol angolano tem vindo a valorizar o seu património humano. Entre os homenageados estavam antigas jogadoras que fizeram história, como Filomena Trindade e Palmira Barbosa, além de técnicos que dedicaram décadas ao desenvolvimento da modalidade. A presença de dirigentes de 19 associações provinciais mostrou também a importância de uma gestão descentralizada e colaborativa para o crescimento do andebol no país.

A integração da associação de Ícolo e Bengo, aprovada durante a reunião, é mais um exemplo de como o desporto angolano tem procurado expandir a sua base geográfica. Historicamente, o andebol concentrava-se em Luanda e em algumas províncias do litoral, mas nos últimos anos tem havido um esforço para levar a modalidade a regiões mais afastadas, como forma de democratizar o acesso ao desporto e de descobrir novos talentos.

O legado de Archer Mangueira não se resume aos títulos conquistados ou aos recordes batidos. A sua liderança serviu de inspiração para uma nova geração de dirigentes que, anos depois, viriam a assumir responsabilidades em federações e associações. Em países com realidades semelhantes à angolana, casos como este mostram como a estabilidade na gestão desportiva pode criar as condições necessárias para que os atletas se desenvolvam e para que as modalidades ganhem visibilidade.

No entanto, o caminho percorrido até aqui não foi isento de obstáculos. O andebol angolano ainda enfrenta desafios como a falta de patrocínios consistentes, a necessidade de modernizar instalações e a competição com outros desportos que atraem mais recursos e atenção mediática. Mesmo assim, iniciativas como a homenagem a Mangueira servem para relembrar que o progresso é possível quando há compromisso e visão a longo prazo.

A FAAND tem vindo a trabalhar em parceria com o Ministério dos Desportos para criar programas que incentivem a prática do andebol desde as escolas, numa tentativa de garantir que os sucessos do passado não sejam casos isolados, mas sim o início de uma trajetória de crescimento sustentado. A modalidade, que já foi vista como secundária no panorama desportivo angolano, tem vindo a ganhar espaço graças a esses esforços.

Outras federações africanas já tomaram medidas semelhantes no passado, apostando em figuras com experiência na gestão para liderar processos de transformação. Em Angola, a homenagem a Archer Mangueira pode ser vista como um sinal de que o desporto nacional está a valorizar o seu capital humano e a preparar-se para novos desafios. A continuidade dessas políticas será determinante para que o andebol angolano mantenha a sua trajetória ascendente nos próximos anos.

A cerimónia realizada no sábado não foi apenas um momento de celebração, mas também um lembrete de que o desporto é um espelho da sociedade. Quando uma federação reconhece o trabalho de quem a ajudou a crescer, está a reforçar a ideia de que o sucesso não é obra do acaso, mas sim resultado de dedicação, planeamento e confiança nas gerações futuras.

Fonte: ANGOP

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