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Por Redacção Angola No Ar

Tecnologia impulsiona economia angolana, mas falta mão de obra

O director da TIS Tech Angola, Willian Oliveira, destaca o papel das empresas tecnológicas como motores essenciais para o crescimento económico do país. Em entrevista recente, o executivo sublinha os avanços recentes no sector, mas alerta para desafios como a escassez de profissionais qualificados e a burocracia excessiva que travam a inovação.

Espaço de escritório moderno em Angola com ecrãs digitais e decorações de arte africana, representando o ambiente tecnológico no País.
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Num cenário global onde a digitalização define o ritmo da economia, Angola começa a perceber que o futuro não depende apenas dos recursos naturais. As empresas tecnológicas emergem como actores-chave para diversificar a base produtiva do país, reduzindo a dependência de sectores tradicionais como o petróleo e os diamantes. Segundo Willian Oliveira, director da TIS Tech Angola, este movimento não é uma moda passageira, mas uma necessidade estrutural para garantir competitividade num mercado cada vez mais interligado.

O executivo observa que, nos últimos anos, Angola deu passos significativos no desenvolvimento de competências técnicas e na expansão das infraestruturas digitais. A adopção de tecnologias como a inteligência artificial e a computação em nuvem já começa a transformar sectores como a banca, a agricultura e os serviços públicos. No entanto, o ritmo desta transformação ainda é desigual. Enquanto algumas empresas conseguem modernizar os seus processos, outras enfrentam dificuldades para acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas.

Um dos maiores obstáculos identificados por Oliveira é a falta de mão-de-obra qualificada. O sector tecnológico angolano depende, em grande medida, de profissionais estrangeiros ou de angolanos formados no exterior. Isso cria uma dependência que limita a autonomia das empresas locais e encarece os projectos. Além disso, a burocracia excessiva continua a ser um entrave à inovação, atrasando licenciamentos, contratações e a implementação de novas soluções.

Apesar dos desafios, o mercado angolano já demonstra sinais de maturidade. Empresas locais começam a expandir os seus serviços para outros países da região, provando que o sector tem potencial para se tornar um exportador de soluções tecnológicas. Este movimento reflecte uma tendência global, onde países em desenvolvimento apostam na tecnologia como forma de reduzir a desigualdade económica e criar empregos de maior valor acrescentado.

A transformação digital em Angola não é um processo isolado. Outros países africanos já passaram por situações semelhantes e adoptaram estratégias para acelerar o desenvolvimento do sector. Em casos parecidos, a formação de talentos locais e a simplificação dos processos regulatórios foram determinantes para o sucesso. Angola pode aprender com essas experiências, adaptando-as à sua realidade.

O director da TIS Tech Angola defende que o governo deve criar condições para que o sector tecnológico floresça. Isso inclui não só a formação de profissionais, mas também a criação de políticas públicas que incentivem a inovação e removam barreiras burocráticas. "As empresas tecnológicas não são apenas prestadoras de serviços, são motores de desenvolvimento", afirma Oliveira. Para ele, o sector pode ser um dos principais impulsionadores da economia angolana, desde que sejam criadas as condições necessárias.

A adopção de tecnologias como a inteligência artificial já começa a mostrar resultados em sectores como a saúde e a educação. Em hospitais, por exemplo, sistemas de diagnóstico assistido por IA ajudam a reduzir erros médicos e a optimizar recursos. Nas escolas, plataformas digitais facilitam o acesso a conteúdos educativos, mesmo em regiões remotas. Estes exemplos demonstram como a tecnologia pode ser uma ferramenta de inclusão social e desenvolvimento económico.

No entanto, o sucesso desta transformação depende de vários factores. Além da formação de profissionais, é necessário investir em infraestruturas básicas, como a expansão da rede de internet e a melhoria da qualidade da electricidade. Sem estas condições, o potencial da tecnologia fica limitado. A falta de acesso a internet de qualidade em algumas províncias ainda é um obstáculo para muitas empresas e cidadãos.

Outro desafio é a mentalidade das empresas tradicionais. Muitas ainda vêem a tecnologia como um custo, em vez de um investimento. Esta visão limita a adopção de soluções inovadoras e atrasa a modernização dos processos. Para mudar esta realidade, é necessário um trabalho de sensibilização junto dos empresários, mostrando os benefícios da digitalização.

O sector tecnológico angolano tem ainda um longo caminho a percorrer. Mas os sinais são positivos. A crescente adopção de soluções digitais por parte do governo e das empresas privadas indica que o país está no caminho certo. Se os desafios forem superados, Angola poderá não só diversificar a sua economia, como também posicionar-se como um actor relevante no cenário tecnológico africano.

Para o futuro, a aposta na formação de talentos locais e na simplificação dos processos regulatórios será fundamental. Só assim o sector tecnológico poderá atingir o seu pleno potencial e contribuir para um desenvolvimento económico mais equilibrado e sustentável. A tecnologia, afinal, não é apenas uma ferramenta, mas uma oportunidade para transformar Angola num país mais competitivo e inclusivo.

Fonte: Expansão

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