Portugal aposta em Angola mas concorrência cresce
O secretário de Estado da Economia de Portugal destacou, em Luanda, a capacidade das empresas lusas para enfrentar a concorrência no mercado angolano. A afirmação foi feita durante um encontro com empresários, realizado antes da abertura da Feira Internacional de Luanda (FILDA). O evento reuniu representantes dos dois países para discutir parcerias estratégicas num momento de mudanças nos fluxos comerciais entre as nações.

As empresas de Portugal mantêm interesse em investir em Angola, apesar do aumento da concorrência internacional no mercado angolano. A presença de negócios portugueses na Feira Internacional de Luanda (FILDA) reflecte essa vontade de manter e expandir laços económicos, mesmo num contexto de maior rivalidade global. O encontro que antecedeu a abertura do maior certame comercial do país decorreu na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, um espaço criado para atrair investimentos e facilitar a instalação de empresas estrangeiras no território angolano.
Segundo o governante português, a competição faz parte do dia a dia das empresas do seu país. Para ele, a capacidade de inovar e adaptar-se às condições locais é fundamental para garantir vantagens num mercado cada vez mais disputado. A língua comum e os laços históricos entre Angola e Portugal continuam a ser factores que facilitam a aproximação entre os dois países, mas não são suficientes para garantir negócios sem um esforço constante de modernização.
Os dados recentes mostram que, embora as exportações portuguesas para Angola tenham registado um crescimento significativo nos últimos anos, o número de empresas lusas a operar no mercado angolano tem vindo a diminuir. Entre 2021 e 2025, por exemplo, o valor das vendas aumentou, mas a quantidade de exportadores reduziu-se. Esta tendência pode indicar que as empresas estão a concentrar-se em clientes maiores ou a optar por modelos de negócio mais enxutos, em vez de expandirem a sua presença no terreno.
Em sentido contrário, o investimento angolano em Portugal tem vindo a crescer de forma expressiva. Actualmente, o volume de capital angolano aplicado em território português já supera o investimento directo que Portugal faz em Angola. Este movimento reflecte uma estratégia de diversificação por parte de Angola, que procura reduzir a dependência de parceiros tradicionais e explorar novas oportunidades no exterior.
A Zona Económica Especial Luanda-Bengo, onde decorreu o encontro empresarial, foi criada para oferecer condições mais favoráveis a investidores estrangeiros, como isenções fiscais e infra-estruturas modernas. O objectivo é transformar Angola num pólo de atracção para negócios internacionais, mas o sucesso depende da capacidade do país em criar um ambiente regulatório estável e previsível. Outros países africanos já adoptaram modelos semelhantes no passado, com resultados variados, dependendo da estabilidade política e económica local.
Para os empresários portugueses, a adaptação às realidades angolanas é um desafio constante. A burocracia, a instabilidade cambial e a concorrência de empresas de outros continentes obrigam a estratégias mais flexíveis. Muitos optam por parcerias com empresas locais, que conhecem melhor o mercado e têm redes de contacto estabelecidas. Esta abordagem permite reduzir riscos, mas também limita o controlo sobre os negócios.
A Feira Internacional de Luanda, que serve de palco para este tipo de encontros, é um dos principais eventos do calendário económico angolano. Além de promover a imagem do país no exterior, a FILDA funciona como um termómetro do interesse internacional em Angola. Nos últimos anos, o certame tem atraído cada vez mais expositores de sectores como energia, construção e agro-indústria, reflectindo a diversificação da economia angolana para além do petróleo.
A concorrência no mercado angolano não se limita a empresas estrangeiras. Empresas locais, muitas delas de pequena e média dimensão, têm vindo a ganhar espaço graças a políticas de proteccionismo e à crescente aposta do governo em apoiar o tecido empresarial nacional. Este movimento faz parte de uma tendência mais ampla em África, onde vários países estão a rever as suas políticas comerciais para proteger os seus mercados internos.
Os próximos anos serão decisivos para perceber se as empresas portuguesas conseguem manter a sua posição em Angola. A capacidade de inovar, a flexibilidade para se adaptar a novas realidades e a escolha de parceiros locais fiáveis serão factores-chave. Para Angola, o desafio passa por equilibrar a abertura ao investimento estrangeiro com o desenvolvimento do seu próprio sector privado, garantindo que os benefícios da internacionalização chegam também à população local.
O encontro em Luanda serviu, acima de tudo, para reafirmar a vontade de cooperação entre os dois países. No entanto, os números mostram que os interesses económicos estão a evoluir. Se, por um lado, Portugal continua a ver Angola como um mercado estratégico, por outro, Angola está a diversificar as suas alianças e a procurar oportunidades além-fronteiras. A relação entre as duas nações mantém-se forte, mas o futuro dependerá da capacidade de ambos os lados em se adaptarem a um cenário global cada vez mais complexo e competitivo.
Fonte: Google News (Angola)
encontraste algum erro nesta notícia?
