Empresas atingidas por cheias em Benguela continuam sem apoio
Os estabelecimentos comerciais fustigados pelas cheias em Benguela aguardam há meses pela libertação do crédito prometido pelo Governo. Os processos do apoio financeiro gerido pelo Banco de Poupança e Crédito já foram aprovados, mas a morosidade administrativa continua a travar a entrega das verbas aos empresários da região.

O transbordo das águas do rio Cavaco provocou a destruição de dezenas de estabelecimentos comerciais na província de Benguela, deixando um rasto de prejuízos para vários sectores de actividade na região.
Para responder aos estragos causados pelas intempéries, o Executivo anunciou a criação de uma linha de financiamento no valor global de 30 mil milhões de kwanzas, destinada a apoiar os empresários afectados no processo de recuperação.
A gestão do montante atribuído pelo Governo ficou sob a responsabilidade do Banco de Poupança e Crédito, instituição encarregada de processar os pedidos e canalizar os recursos para o tecido empresarial local.
No entanto, vários meses após a promessa oficial, proprietários de lojas, oficinas e bancadas de mercado continuam sem acesso ao capital anunciado para a reconstrução dos seus negócios.
A grande maioria das candidaturas submetidas pelas empresas já recebeu parecer favorável por parte das entidades responsáveis, mas os fundos continuam sem chegar aos beneficiários finais.
As complicações administrativas e a lentidão na fase de desembolso têm funcionado como um obstáculo directo à retoma da actividade económica em diversos pontos da província.
A incerteza afecta em especial as pequenas e médias empresas, que enfrentam graves limitações financeiras e dependem criticamente deste apoio para repor os stocks e reabrir as portas ao público.
"Recebemos a notícia da aprovação, mas até agora nada", relatou um comerciante que opera no mercado do Lobito, optando por não revelar a sua identidade por razões de segurança.
Perante o cenário de paralisação, os operadores económicos locais vêem-se forçados a procurar alternativas de emergência para manter as suas portas abertas ou cobrir os prejuízos imediatos.
Muitos empresários têm recorrido a empréstimos no circuito privado com taxas mais agravadas, enquanto outros optam por adiar novos investimentos, agravando o clima de estagnação na economia regional.
Do lado da instituição bancária encarregada de operacionalizar a linha de apoio, a garantia apresentada é de que os valores financeiros definidos continuam disponíveis para os fins previstos.
Ainda assim, a instituição financeira escusou-se a indicar prazos concretos para a transferência efectiva das verbas para as contas bancárias das empresas contempladas.
"Os recursos existem, mas a execução depende de vários trâmites internos", declarou uma fonte ligada ao Banco de Poupança e Crédito a propósito dos atrasos verificados.
As chuvas intensas que provocaram o transbordo do rio e os consequentes estragos cessaram há vários meses na região, mas as sequelas materiais e financeiras permanecem bem visíveis no quotidiano empresarial.
Sem o devido suporte de tesouraria, muitos estabelecimentos continuam sem capacidade operacional para adquirir novos bens ou retomar o ritmo normal de vendas no mercado local.
"Sem dinheiro, não há como repor mercadorias ou contratar mão-de-obra", desabafou outro comerciante afectado pela demora na disponibilização dos fundos governamentais.
O atraso na concessão do crédito compromete a revitalização comercial de Benguela, uma área geográfica que já vinha enfrentando dificuldades socioeconómicas antes dos acontecimentos climatéricos.
A falta de resposta em tempo útil aos impactos de calamidades naturais levanta dúvidas sobre a eficácia prática dos mecanismos de crédito criados para situações de emergência no país.
Até ao momento, as instâncias governamentais não emitiram qualquer comentário oficial em relação às reclamações apresentadas pelos comerciantes e empresários da província.
Enquanto aguardam por desenvolvimentos e pela chegada dos fundos aprovados, os agentes económicos de Benguela mantêm os planos de recuperação e expansão totalmente paralisados.
Fonte: Correio da Kianda
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