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Por Redacção Angola No Ar

Empresários dos EAU apostam em energia solar e agricultura em Angola

Uma delegação de empresários dos Emirados Árabes Unidos chegou a Angola para analisar oportunidades de negócios nos sectores da energia renovável e da agricultura. A visita surge num momento em que o país procura diversificar a sua economia, reduzindo a dependência do petróleo e aproveitando os seus recursos naturais.

Painéis solares e sistemas de irrigação num cenário de paisagem árida, com campos agrícolas ao fundo, representando o investimento em energia renovável e agricultura em Angola
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A deslocação de investidores dos Emirados Árabes Unidos (EAU) a Angola não é um caso isolado. Nos últimos anos, vários países do Médio Oriente têm procurado expandir os seus interesses económicos em África, especialmente em nações com potencial energético e agrícola. A missão empresarial dos EAU chega num contexto em que Angola tenta atrair capital estrangeiro para áreas estratégicas, como a produção de energia limpa e a modernização do campo.

Os empresários árabes focam-se em dois sectores-chave: a energia solar e a agricultura com base em recursos hídricos. Ambos os domínios apresentam vantagens competitivas em Angola, onde a radiação solar é abundante durante todo o ano e os rios oferecem condições para irrigação e produção alimentar. A aposta em projectos conjuntos nestas áreas poderá não só criar emprego local como também transferir tecnologia e know-how para empresas angolanas.

Segundo informações da Rádio Nacional de Angola, a delegação já identificou projectos-piloto que poderão ser replicados noutras regiões do continente africano. Esta abordagem não é nova: outros países africanos já adoptaram modelos semelhantes, combinando investimento estrangeiro com desenvolvimento local. A estratégia visa garantir que os benefícios económicos se espalhem além das zonas directamente envolvidas nos projectos.

O Governo angolano tem vindo a incentivar a entrada de investidores estrangeiros, sobretudo em sectores que possam ajudar a diversificar a economia. A dependência excessiva do petróleo tornou-se um desafio nos últimos anos, com a queda dos preços internacionais a afectar as receitas do Estado. Por isso, a aposta em energias renováveis e agricultura moderna surge como uma alternativa para estabilizar a balança comercial e reduzir a vulnerabilidade face às flutuações do mercado global.

A modernização da agricultura angolana passa, muitas vezes, pela adopção de técnicas mais eficientes e pela utilização de sistemas de irrigação que permitam aumentar a produtividade. Projectos deste tipo já foram implementados em países vizinhos, com resultados positivos tanto na produção alimentar como na geração de emprego. A vinda dos empresários dos EAU poderá acelerar este processo, uma vez que muitos deles já têm experiência em projectos semelhantes noutros continentes.

A energia solar, por sua vez, tem vindo a ganhar destaque em Angola como uma solução para levar electricidade a zonas rurais e periurbanas, onde a rede eléctrica nacional ainda não chega. Empresas internacionais já desenvolveram iniciativas neste domínio, mas a participação de investidores dos EAU poderá trazer novos recursos e uma abordagem mais ambiciosa. A ideia é criar uma rede de centrais solares que não só abasteça comunidades locais como também alimente projectos agrícolas integrados.

A cooperação económica entre Angola e os EAU não se limita a estes dois sectores. Nos últimos anos, os dois países têm explorado outras áreas de parceria, como a construção civil e o turismo. No entanto, a energia e a agricultura surgem como prioridades num momento em que Angola procura reduzir a sua dependência de recursos não renováveis. A diversificação económica é um objectivo antigo, mas a actual crise petrolífera tornou-o ainda mais urgente.

A visita da delegação árabe poderá também abrir portas para acordos comerciais mais amplos. Empresas angolanas poderão beneficiar do acesso a mercados do Médio Oriente, enquanto os investidores dos EAU ganham uma posição estratégica em África. Este tipo de parcerias já aconteceu antes noutros países, com resultados que variam consoante a capacidade de negociação e a estabilidade política das nações envolvidas.

Para Angola, o desafio passa por garantir que os projectos resultantes desta cooperação sejam sustentáveis e beneficiem directamente a população. A transferência de tecnologia é um ponto-chave, mas só será efectiva se houver mão-de-obra local qualificada para operar os novos sistemas. Neste sentido, o Governo tem incentivado a formação de técnicos e engenheiros, de modo a que o país não dependa eternamente de especialistas estrangeiros.

A médio prazo, a expectativa é que os investimentos em energia solar e agricultura moderna possam contribuir para a redução da pobreza rural. Em muitas províncias angolanas, a falta de electricidade e a baixa produtividade agrícola limitam o desenvolvimento económico. Projectos bem-sucedidos nestes domínios poderão servir de exemplo para outras regiões, criando um ciclo de crescimento sustentável.

Ainda assim, há desafios a superar. A burocracia, a falta de infra-estruturas adequadas e a instabilidade cambial são obstáculos que podem atrasar a implementação de novos projectos. No entanto, a presença de investidores dispostos a assumir riscos é um sinal positivo, indicando que Angola continua a ser vista como um destino atractivo para o capital estrangeiro.

Nos próximos meses, serão realizadas reuniões entre as partes interessadas para definir os termos das parcerias. A expectativa é que, em breve, comecem a ser assinados os primeiros acordos, com a concretização de projectos-piloto ainda este ano. Se tudo correr como planeado, Angola poderá dar um passo significativo na sua transição para uma economia mais diversificada e resiliente.

Fonte: Google News (Angola)

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