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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

Economia
Por Redacção Angola No Ar

Empresa australiana assume controlo de projecto mineiro no Huambo

Uma empresa australiana vai assumir o controlo de 80% de um projecto de exploração de nióbio e terras raras na província do Huambo. O acordo, que envolve um investimento de cerca de 3,2 milhões de dólares, reforça a presença estrangeira no sector mineiro angolano.

Cena de um local de exploração mineira no Huambo, com equipamentos pesados e estrada poeirenta, representando o projecto de nióbio e terras raras.
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A Connected Minerals, com sede na Austrália, está prestes a concluir a aquisição de 80% da Frontier Angola, uma empresa que detém os direitos de exploração do chamado "Projecto Bailundo". Localizado na província do Huambo, este empreendimento tem potencial para extrair minerais estratégicos como nióbio e terras raras, dois recursos cada vez mais procurados pela indústria global. A transacção representa um passo importante para a Connected Minerals, que tem vindo a aumentar o seu investimento em Angola nos últimos anos.

Para concretizar a operação, a empresa australiana vai injectar cerca de 3,2 milhões de dólares no projecto, segundo dados da transacção. Com esta aquisição, a Connected Minerals passará a gerir maioritariamente o empreendimento, enquanto a Frontier Angola, que já detinha 80% da concessão, ficará sob nova administração. Os restantes 20% da concessão pertencem à IMA - Investimentos Mineiros de Angola, uma entidade ligada à construtora portuguesa Telhabel. A IMA é detida maioritariamente pela Longinvest, com sede na Suíça, e pela Telhabel, que juntas representam a totalidade do capital local.

A entrada da Connected Minerals no mercado angolano surge num momento em que o país procura diversificar a sua economia, reduzindo a dependência do sector petrolífero. O nióbio e as terras raras são minerais com procura crescente em sectores como a tecnologia, a energia renovável e a indústria aeroespacial. Estes recursos são essenciais para a produção de componentes electrónicos, baterias de veículos eléctricos e turbinas eólicas, entre outros produtos de alta tecnologia. A sua exploração em Angola pode atrair mais investimento estrangeiro para o país nos próximos anos, criando emprego e impulsionando o desenvolvimento de infra-estruturas locais.

O sector mineiro angolano tem vindo a ganhar importância nos últimos anos, à medida que o governo promove políticas para atrair investidores estrangeiros. Nos últimos anos, outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, incentivando a exploração de recursos minerais como forma de diversificar as suas economias. Casos parecidos já aconteceram antes, com empresas estrangeiras a assumirem o controlo de projectos mineiros em diferentes regiões do continente, contribuindo para o desenvolvimento económico local.

Para Angola, a exploração de nióbio e terras raras pode representar uma oportunidade única de se posicionar como um fornecedor global destes recursos. O país possui reservas significativas destes minerais, que são cada vez mais difíceis de encontrar em grandes quantidades. A sua extracção e comercialização pode gerar receitas significativas para o Estado, além de criar empregos directos e indirectos nas regiões onde os projectos são implementados.

A província do Huambo, onde se localiza o Projecto Bailundo, é conhecida pelas suas vastas extensões de terras férteis e recursos naturais. A exploração mineira nesta região pode trazer benefícios económicos, mas também levanta questões sobre a gestão sustentável dos recursos e o impacto ambiental. O governo angolano tem vindo a trabalhar em regulamentações para garantir que a exploração mineira seja feita de forma responsável, respeitando as comunidades locais e o meio ambiente.

A longo prazo, a entrada da Connected Minerals no sector mineiro angolano pode servir de exemplo para outros investidores estrangeiros. Se bem-sucedido, o projecto pode abrir portas para mais parcerias internacionais no sector, contribuindo para o crescimento económico do país. Além disso, a exploração de nióbio e terras raras pode ajudar Angola a reduzir a sua dependência do petróleo, diversificando a sua base económica e tornando-a menos vulnerável a flutuações nos preços do crude.

Nos próximos meses, a Connected Minerals deverá concluir a transacção e iniciar os trabalhos de exploração no Projecto Bailundo. O sucesso deste empreendimento dependerá não só da capacidade da empresa em extrair e comercializar os minerais, mas também da sua capacidade de trabalhar em estreita colaboração com as autoridades angolanas e as comunidades locais. A gestão responsável dos recursos e o respeito pelas normas ambientais serão factores determinantes para o futuro deste projecto.

A exploração de nióbio e terras raras em Angola ainda está numa fase inicial, mas o potencial é enorme. Se bem gerido, este sector pode tornar-se um pilar importante para a economia angolana nos próximos anos, atraindo mais investimento e criando oportunidades para os angolanos.

Fonte: Expansão

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