Sábado, 12 de setembro de 2026Notícias de Angola e o mundo!
  1. Início
  2. Tecnologia
  3. Cimeira em Luanda pode mudar acesso à internet em África

Lança sobre o Senhor o teu fardo, e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado. Salmos 55:22

Tecnologia
Por Redacção Angola No Ar

Cimeira em Luanda pode mudar acesso à internet em África

Luanda recebe esta semana uma reunião de líderes africanos e empresas de telecomunicações para discutir como reduzir a exclusão digital no continente. O encontro, que decorre até sexta-feira, pode definir políticas para baratear e alargar o acesso à internet a milhões de pessoas. Em Angola, onde só três em cada dez cidadãos têm acesso à rede, o Governo já anunciou investimentos de meio milhar de milhões de dólares em infraestruturas digitais nos próximos anos.

Representantes de governos e empresas discutem expansão da internet em África durante encontro em Luanda
Partilhar:WhatsAppFacebook
10 visualizações

A capital angolana transforma-se esta semana num ponto de encontro para quem decide o futuro da internet em África. Ministros das Telecomunicações de vários países, executivos de operadoras e representantes de organizações internacionais reúnem-se para debater como levar a rede a quem ainda não a tem. O objectivo é claro: reduzir os custos e aumentar a cobertura, especialmente nas zonas rurais e nos bairros informais das grandes cidades, onde a internet ainda é um luxo ou uma impossibilidade.

O encontro surge num momento em que mais de metade da população africana continua sem acesso à internet. Em Angola, a situação é ainda mais preocupante: segundo dados oficiais, apenas 30% dos cidadãos conseguem ligar-se à rede. A diferença entre quem tem e quem não tem acesso reflecte-se em desigualdades profundas. Quem vive nas cidades, com mais oportunidades económicas, consegue pagar pacotes de dados. Quem mora longe dos centros urbanos ou em condições precárias fica à margem da economia digital.

A cimeira não é apenas mais um evento no calendário diplomático. Representa uma oportunidade para os países africanos coordenarem esforços e partilharem experiências. Nos últimos anos, vários governos do continente anunciaram planos para expandir as redes de fibra óptica e reduzir os preços dos serviços. Angola, por exemplo, já prometeu investir 500 milhões de dólares em infraestruturas digitais até 2027. Mas especialistas avisam: o dinheiro sozinho não chega. São precisas políticas públicas que incentivem a concorrência entre operadoras e evitem monopólios que mantêm os preços altos.

O director-geral das Comunicações do Ministério das Telecomunicações angolano destacou que o encontro pode ser um marco. "Não se trata apenas de instalar cabos ou torres, mas de criar um ecossistema que permita a todos os cidadãos participarem na economia digital", afirmou. A frase resume o desafio: não basta ter infraestrutura, é necessário que ela seja acessível e útil para a população.

Os participantes incluem não só governos, mas também organizações regionais como a União Africana e empresas de telecomunicações. A Angola Telecom e a Africell estão entre as operadoras presentes, o que mostra a importância do sector privado nestas discussões. O encerramento está marcado para sexta-feira, quando deve ser apresentado um plano de acção conjunto. A ideia é definir metas concretas para os próximos cinco anos, com objectivos mensuráveis e prazos claros.

A pressão para reduzir os preços da internet em Angola tem vindo a aumentar. Nos últimos meses, várias queixas da população levaram o Governo a pressionar as operadoras para baixarem os custos. A internet móvel continua a ser cara para muitos angolanos, especialmente quando comparada com os salários médios. Esta cimeira pode ser o primeiro passo para mudar essa realidade.

A exclusão digital não afecta apenas quem não tem acesso à rede. Tem consequências económicas e sociais profundas. Sem internet, é mais difícil aceder a serviços básicos como educação online, telemedicina ou até mesmo a informações sobre emprego. Nas zonas rurais, onde a maioria da população angolana vive, a falta de conectividade mantém as comunidades isoladas do resto do mundo.

Outros países africanos já enfrentaram desafios semelhantes e tomaram medidas para os resolver. Em alguns casos, a solução passou por parcerias público-privadas para expandir a rede. Noutros, foram criados fundos de universalização que obrigam as operadoras a investir em áreas menos rentáveis. A cimeira em Luanda pode servir de inspiração para estas experiências.

O sucesso da iniciativa dependerá da vontade política dos governos participantes. Se as decisões ficarem apenas no papel, pouco mudará na prática. Mas se houver compromisso real, Angola e os seus parceiros podem dar um contributo importante para reduzir a desigualdade digital em África. O plano de acção que sair da reunião será o primeiro teste.

Para os milhões de africanos que ainda esperam por uma ligação à internet, esta cimeira representa uma esperança. Não será a solução para todos os problemas, mas pode ser o início de um caminho mais justo. O desafio agora é transformar as palavras em acções concretas e garantir que ninguém fique para trás na era digital.

Fonte: Google News (Angola)

encontraste algum erro nesta notícia?

Usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar a tua experiência e apresentar anúncios. Ao clicar em "Aceitar", concordas com o uso de cookies descrito na nossa Política de Privacidade.