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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

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Por Redacção Angola No Ar

Fonio ganha destaque como solução contra importação de arroz na África

Um cereal ancestral africano está a ganhar espaço como alternativa ao arroz importado na Nigéria. O fonio, cultivado há séculos na região, destaca-se pela resistência à seca e baixo custo de produção. Empresários locais apostam nesta cultura para reduzir a dependência externa e diversificar a agricultura do país.

Grãos de fonio colhidos num campo agrícola na África Ocidental.
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Há milhares de anos, comunidades da África Ocidental cultivam o fonio como base da sua alimentação. Ao contrário de outras culturas, esta planta não exige fertilizantes nem solos férteis para crescer, o que a torna acessível a pequenos agricultores. A sua capacidade de sobreviver em condições adversas, como secas prolongadas, coloca-o como uma opção estratégica para regiões onde a água é um recurso escasso.

Na Nigéria, onde a dependência do arroz importado chega a 60% do consumo interno, o fonio surge como uma resposta prática. O empresário Timi Oke, cofundador de uma empresa local de exportação, defende que a produção local deste cereal pode ajudar a reduzir a fatura das importações e fortalecer a economia agrícola do país. A ideia não é nova: outros países africanos já exploraram culturas semelhantes para diminuir a dependência de alimentos externos.

Além do mercado interno, o fonio está a chamar a atenção além-fronteiras. O seu perfil nutricional — livre de glúten e rico em proteínas — tem despertado interesse em mercados internacionais. Empresas na Europa e nos Estados Unidos já incluem o grão em produtos inovadores, desde bebidas até alimentos processados. Esta procura externa pode abrir novas oportunidades para os produtores africanos, desde que consigam escalar a produção.

No entanto, o caminho para o sucesso não é simples. O processamento do fonio enfrenta um grande desafio: a remoção da casca. Os grãos são pequenos e exigem mão-de-obra intensiva ou maquinaria especializada para serem descascados. Muitos agricultores ainda dependem de métodos tradicionais, o que limita a quantidade que conseguem transformar em produto final. A falta de tecnologia adequada atrasa o desenvolvimento de uma indústria local competitiva.

A Nigéria não é o único país a enfrentar este tipo de obstáculo. Em várias regiões do continente, culturas com potencial económico esbarram na fase de transformação, onde a inovação tecnológica ainda é limitada. Casos semelhantes já foram registados no passado, com soluções que passaram pela importação de equipamentos ou pelo desenvolvimento de parcerias com instituições de investigação.

O fonio não é apenas uma alternativa alimentar. Os seus benefícios estendem-se ao ambiente. A planta tem a capacidade de recuperar solos degradados, uma característica cada vez mais valorizada numa era de mudanças climáticas. Agricultores que apostam nesta cultura não só garantem a sua subsistência como contribuem para a saúde dos ecossistemas locais.

A expansão do cultivo do fonio pode ter um impacto significativo na segurança alimentar da África Ocidental. Ao diversificar as opções agrícolas, os países da região reduzem a vulnerabilidade a crises de abastecimento e flutuações de preços no mercado global. Esta estratégia já foi adoptada em outras partes do mundo, com resultados positivos a longo prazo.

Para os agricultores, o fonio representa uma oportunidade de aumentar os rendimentos. Ao contrário de culturas que exigem investimentos constantes em insumos, o fonio permite uma produção mais sustentável e com menores custos. Esta vantagem económica pode ser decisiva para pequenas explorações familiares, que formam a base da agricultura africana.

O sector enfrenta ainda outro desafio: a falta de conhecimento sobre as potencialidades do fonio. Muitos consumidores ainda desconhecem as suas propriedades nutricionais ou formas de o preparar. Campanhas de sensibilização e educação alimentar poderiam ajudar a popularizar o cereal, criando uma procura interna que sustentasse o crescimento da produção.

A Nigéria tem condições para se tornar um líder na produção de fonio, mas isso dependerá de investimentos em tecnologia e formação. A colaboração entre governos, empresas e instituições de investigação será essencial para superar os obstáculos actuais. Empresários como Timi Oke já dão o exemplo, mas o caminho para uma indústria consolidada ainda é longo.

O futuro do fonio na Nigéria e na região depende de vários factores. A capacidade de processamento terá de aumentar para acompanhar a procura, seja através da importação de máquinas ou do desenvolvimento de soluções locais. Ao mesmo tempo, será necessário criar canais de comercialização que liguem os produtores aos mercados interno e externo.

A aposta no fonio não é apenas uma questão económica. É também uma estratégia de resiliência face às mudanças climáticas e à instabilidade dos mercados globais. Países que conseguirem dominar a cadeia de valor deste cereal poderão não só garantir a sua segurança alimentar como também posicionar-se como fornecedores de um produto cada vez mais procurado no exterior.

A Nigéria tem todas as condições para liderar esta transformação. Com solo fértil, mão-de-obra disponível e um mercado interno em crescimento, o país pode transformar o fonio numa das suas principais culturas de exportação. O desafio está em superar os entraves tecnológicos e criar as condições para que os agricultores colham os frutos deste potencial.

Fonte: How we made it in Africa

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