Capanda vai produzir mais electricidade após obras de modernização
O Governo angolano decidiu reabilitar e modernizar a Barragem de Capanda, na província de Malanje. A decisão foi oficializada através de um despacho presidencial publicado no Diário da República. O objectivo é aumentar a produção de energia do país, que enfrenta desafios no fornecimento eléctrico.

A Barragem de Capanda, localizada no rio Cuanza, é uma das principais infra-estruturas hidroeléctricas de Angola. Há anos que a sua capacidade de geração de energia está abaixo do necessário para acompanhar o crescimento da procura nacional. Os apagões recorrentes em várias províncias reflectem essa limitação, afectando famílias, empresas e serviços públicos. A decisão de modernizar a barragem surge como uma resposta directa a essa realidade, segundo o despacho presidencial que autorizou os trabalhos.
Os investimentos previstos incluem a manutenção dos equipamentos existentes e a actualização tecnológica das máquinas. A ideia é optimizar o funcionamento da barragem para que produza mais electricidade com os mesmos recursos naturais. Especialistas em energia destacam que infra-estruturas como esta precisam de actualizações constantes para não se tornarem obsoletas. Em países com sistemas hidroeléctricos maduros, é comum ver barragens a passarem por processos semelhantes para evitar falhas no abastecimento.
A modernização de Capanda não é um caso isolado em Angola. Outras barragens do país também já passaram por obras de reabilitação nos últimos anos. O objectivo é reduzir a dependência de fontes térmicas, que dependem de combustíveis importados e são mais caras. A energia hidroeléctrica, quando bem gerida, oferece uma alternativa mais estável e sustentável a longo prazo. No entanto, este tipo de projectos exige planeamento cuidadoso e investimentos significativos, que nem sempre estão disponíveis de imediato.
Ainda não há data marcada para o início das obras em Capanda. A aprovação do programa é apenas o primeiro passo de um processo que pode demorar meses ou até anos. Enquanto isso, o Governo tem recorrido a outras soluções para tentar minimizar os apagões, como a importação de energia de países vizinhos ou o uso de geradores em zonas críticas. Mas estas medidas são temporárias e não resolvem o problema estrutural da falta de capacidade instalada.
A dependência de fontes térmicas também tem um impacto directo na economia angolana. O custo da electricidade produzida desta forma é elevado, o que se reflecte nas tarifas pagas pelos consumidores. Além disso, a importação de combustíveis para as centrais térmicas representa uma despesa significativa em divisas, que poderiam ser usadas noutros sectores. A modernização de Capanda poderá ajudar a inverter esta tendência, reduzindo a necessidade de importar energia ou combustíveis.
Para as famílias angolanas, a melhoria no fornecimento de electricidade significa mais estabilidade no dia a dia. Os apagões frequentes obrigam muitas pessoas a recorrer a soluções alternativas, como velas ou geradores, que têm custos adicionais. Em zonas rurais, a falta de energia limita o acesso a serviços básicos, como cuidados de saúde ou educação. A reabilitação de Capanda poderá, assim, ter um impacto directo na qualidade de vida de milhões de pessoas.
As empresas também serão beneficiadas com um fornecimento mais estável. Muitos negócios em Angola dependem de geradores durante os apagões, o que aumenta os seus custos operacionais. A modernização da barragem poderá criar condições para que mais indústrias se desenvolvam, especialmente na região de Malanje e arredores. A energia mais barata e acessível é um factor-chave para atrair investimentos e impulsionar a economia local.
O Governo já sinalizou que este é apenas um dos vários projectos em curso para reforçar a capacidade energética do país. Nos últimos anos, têm sido anunciados planos para construir novas barragens e expandir as existentes. No entanto, a execução destes projectos nem sempre acompanha os anúncios, devido a desafios como a burocracia, a falta de financiamento ou atrasos na contratação de empresas especializadas. A modernização de Capanda será, por isso, um teste para a capacidade do Executivo em cumprir os seus compromissos.
Enquanto as obras não começam, a população continua a enfrentar os apagões. Muitos angolanos já se habituaram a viver com a incerteza no acesso à electricidade, mas a situação tende a piorar se não forem tomadas medidas efectivas. A reabilitação de Capanda é um passo importante, mas será necessário muito mais para garantir que Angola consiga suprir as suas necessidades energéticas nos próximos anos. O sucesso deste projecto poderá servir de exemplo para outras infra-estruturas do país, mostrando que é possível melhorar o fornecimento de energia sem depender exclusivamente de soluções paliativas.
Fonte: Correio da Kianda
encontraste algum erro nesta notícia?
