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Economia
Por Redacção Angola No Ar

Brasil reforça agricultura angolana com 83 milhões de dólares até 2030

Angola vai receber 83 milhões de dólares de investimento brasileiro no sector agrícola até 2030. O dinheiro vai financiar formação de técnicos e desenvolvimento de projectos nas províncias da Lunda-Norte e Malanje. O Governo angolano já reservou mais de 800 mil hectares de terras para a iniciativa.

Campo agrícola em Angola com equipamentos modernos, representando parceria com investidores brasileiros
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O acordo entre Angola e o Brasil marca um novo capítulo na cooperação bilateral, com foco no campo. Os 83 milhões de dólares prometidos pelos empresários brasileiros não se limitam a injectar capital: incluem transferência de tecnologia e formação de quadros angolanos. O objectivo é modernizar a agricultura nacional, um sector que o Executivo angolano considera estratégico para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

As províncias da Lunda-Norte e Malanje foram escolhidas para acolher os primeiros projectos. Estas regiões, com potencial agrícola ainda pouco explorado, oferecem condições favoráveis para o desenvolvimento de culturas comerciais e de subsistência. A exploração será feita em regime de parceria público-privada, o que significa que o Estado angolano disponibiliza as terras e os investidores brasileiros assumem a gestão técnica e financeira dos empreendimentos.

A formação de técnicos locais é uma das prioridades do pacote de investimento. A ideia é criar uma geração de profissionais capazes de aplicar técnicas modernas de agricultura, desde a gestão de solos até à utilização de maquinaria adequada. Este enfoque na capacitação é comum em acordos de cooperação agrícola entre países, especialmente em nações africanas que procuram reduzir a dependência de importações de alimentos.

O Executivo angolano já identificou mais de 800 mil hectares de terras com potencial para a agricultura. A distribuição destas áreas entre as duas províncias seleccionadas permite uma abordagem regionalizada, adaptada às características de cada zona. Este modelo de exploração conjunta já foi adoptado em outros países africanos, com resultados positivos em termos de produtividade e criação de emprego.

A iniciativa surge num momento em que Angola procura alternativas económicas. O sector agrícola tem sido apontado como uma das apostas para reduzir a dependência do petróleo, que ainda domina as exportações nacionais. A modernização do campo pode trazer benefícios a longo prazo, como a redução da inflação nos preços dos alimentos e a melhoria da segurança alimentar.

O investimento brasileiro chega num contexto em que vários países africanos estão a apostar na agricultura como motor de desenvolvimento. Casos semelhantes já aconteceram em outras regiões do continente, onde parcerias internacionais ajudaram a transformar terras antes improdutivas em áreas de alta produtividade. Em Angola, a expectativa é que os projectos gerem emprego não só no campo, mas também em sectores relacionados, como a logística e a indústria alimentar.

A parceria público-privada é um modelo que tem vindo a ganhar força em África. Permite ao Estado concentrar-se em políticas públicas e regulação, enquanto os privados assumem os riscos e a gestão operacional. Este tipo de colaboração já foi testado em outros sectores angolanos, como a energia e as telecomunicações, com resultados variados.

Os próximos passos incluem a formalização dos acordos e o início dos projectos-piloto. A expectativa é que, em poucos anos, os resultados comecem a ser visíveis, tanto em termos de produtividade como de impacto social. Para Angola, a iniciativa pode ser um passo importante rumo a uma economia mais diversificada e menos vulnerável às flutuações do mercado petrolífero.

A agricultura angolana tem potencial para crescer, mas enfrenta desafios como a falta de infra-estruturas e a necessidade de formação técnica. A colaboração com o Brasil pode ajudar a ultrapassar alguns destes obstáculos, especialmente no que diz respeito à transferência de conhecimento. A longo prazo, a aposta no campo pode reduzir a dependência de importações e melhorar a vida das comunidades rurais.

Fonte: Google News (Angola)

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