BNA esclarece integração do Kwanza no sistema de pagamentos da SADC
O Banco Nacional de Angola (BNA) realiza esta sexta-feira, 31 de Julho, uma conferência de imprensa para explicar como o Kwanza passará a integrar o sistema regional de liquidação em tempo real da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). O evento, marcado para as 15 horas no Auditório Saydi Mingas, em Luanda, visa esclarecer os detalhes práticos desta adesão e os seus impactos no comércio e no sistema financeiro angolano.

A integração do Kwanza no SADC-RTGS (Sistema de Liquidação em Tempo Real da SADC) representa um passo estratégico para Angola, alinhado com os objectivos de integração económica regional. Esta plataforma, já adoptada por vários países africanos, permite que as transacções comerciais entre nações vizinhas sejam realizadas directamente nas suas moedas locais, sem necessidade de recorrer a divisas estrangeiras como o dólar ou o euro. Até agora, as trocas comerciais entre os membros da SADC dependiam fortemente de moedas internacionais, o que aumentava os custos e atrasava os processos de pagamento.
O Kwanza, moeda angolana, passa assim a ser uma das divisas aceites neste mecanismo, facilitando as transferências bancárias transfronteiriças. Segundo o BNA, a medida deverá reduzir os custos operacionais e acelerar as operações financeiras entre Angola e os outros 15 países da região. A iniciativa insere-se num esforço mais amplo de modernização dos sistemas de pagamento em África, onde várias nações já implementaram soluções semelhantes nos últimos anos.
A conferência de imprensa agendada para hoje é apenas o primeiro passo de um processo que já envolveu meses de preparação técnica. O BNA trabalhou em estreita colaboração com bancos comerciais e outras instituições financeiras angolanas para garantir que os sistemas internos estejam alinhados com os requisitos do SADC-RTGS. Esta adesão não é um acto isolado, mas sim parte de um compromisso assumido por Angola enquanto membro activo da organização regional.
Os benefícios esperados vão além da simplificação das transacções comerciais. Para as empresas angolanas que exportam ou importam produtos para outros países da SADC, a medida deverá traduzir-se em menos burocracia e custos mais baixos. No sector financeiro, os bancos poderão processar pagamentos de forma mais ágil, o que pode incentivar um maior fluxo de investimentos dentro da região. Especialistas destacam que sistemas como este tendem a fortalecer a estabilidade económica regional, ao reduzir a dependência de moedas externas voláteis.
No entanto, a implementação plena desta medida dependerá também da adesão efectiva dos restantes países da SADC. Embora vários já tenham adoptado o SADC-RTGS, outros ainda estão em processo de integração. Angola, ao aderir agora, reforça a sua posição como um dos principais actores económicos da região e sinaliza o seu compromisso com a integração continental.
A conferência de hoje servirá para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento prático do sistema. O BNA deverá detalhar como as empresas e cidadãos poderão aceder a estas novas facilidades, bem como os procedimentos para realizar transferências em Kwanza para outros países. A transparência nestes esclarecimentos é crucial para garantir que o sector privado angolano esteja preparado para tirar partido das oportunidades que surgem.
Este movimento acompanha uma tendência global de promoção de sistemas de pagamento regionais em África. Nos últimos anos, várias organizações económicas africanas têm incentivado os seus membros a adoptar mecanismos semelhantes, com o objectivo de reduzir a dependência de moedas estrangeiras e fortalecer o comércio intra-africano. Casos como o da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) mostram que estas iniciativas podem ter um impacto significativo na integração económica dos países participantes.
Para Angola, a adesão ao SADC-RTGS chega num momento em que o país procura diversificar a sua economia e reduzir a dependência do sector petrolífero. O fortalecimento do comércio regional pode abrir novas oportunidades para produtos não-petrolíferos, como a agricultura e a indústria transformadora. Além disso, a medida poderá facilitar o acesso a financiamento externo, uma vez que os bancos internacionais tendem a ver com melhores olhos países com sistemas de pagamento modernos e integrados.
Os próximos meses serão determinantes para avaliar o impacto real desta adesão. O BNA já anunciou que irá monitorizar de perto a evolução das transacções em Kwanza dentro do sistema regional, ajustando procedimentos sempre que necessário. A longo prazo, esta medida poderá contribuir para uma maior estabilidade cambial em Angola, ao reduzir a pressão sobre as reservas internacionais do país.
A conferência de imprensa de hoje é, assim, um marco importante não só para o sistema financeiro angolano, mas também para a integração económica da África Austral. À medida que mais países se juntarem a este tipo de mecanismos, o comércio regional poderá tornar-se mais dinâmico e menos vulnerável a crises externas. Para Angola, trata-se de um passo concreto rumo a uma maior integração no espaço económico africano, alinhado com os objectivos traçados pela SADC.
Fonte: Correio da Kianda
encontraste algum erro nesta notícia?
