Ataque cibernético deixa Unitel fora do ar em todo o país
Na madrugada de terça‑feira, 28 de julho, a operadora Unitel sofreu um ataque informático que interrompeu os serviços de voz e dados em todo o território nacional. Cerca de 20 milhões de utilizadores ficaram impossibilitados de fazer chamadas, efetuar pagamentos e aceder à internet.

O incidente ocorreu por volta das 2h20, quando os sistemas de rede da Unitel foram invadidos por agentes externos. A empresa descreveu o ataque como direcionado à sua infraestrutura tecnológica, afetando simultaneamente as plataformas de comunicação móvel e fixa.\n\nEm resposta imediata, a Unitel acionou os protocolos de contenção previstos para incidentes de segurança cibernética. As equipas técnicas e de segurança informática foram mobilizadas para isolar os pontos vulneráveis e impedir a propagação do dano.\n\nAté ao momento da redação, os serviços não foram restabelecidos. A falta de conectividade tem impedido a realização de chamadas telefónicas, a utilização de mensagens de texto e o acesso a serviços de internet móvel, essenciais para a vida quotidiana e para as transacções comerciais.\n\nA indisponibilidade forçou muitos clientes a procurar alternativas temporárias junto a outras operadoras, a fim de manter a comunicação pessoal e profissional. Essa migração temporária pode gerar perdas de receita para a Unitel e alterar o padrão de consumo no mercado de telecomunicações.\n\nO ataque coincidiu com o processo de venda de 15 por cento das ações da Unitel na Bolsa de Valores de Angola (BODIVA). A operação de desinvestimento tem sido acompanhada de perto pelos investidores, e a interrupção dos serviços alimentou especulações sobre possíveis ligações entre os dois eventos.\n\nAlguns analistas e observadores políticos sugeriram que a coincidência temporal poderia indicar interesses externos que pretendem influenciar o valor das ações ou a confiança dos acionistas. Contudo, não há confirmação oficial de qualquer relação direta entre o ataque e a transação de ações.\n\nAngola ocupa a segunda posição entre os países africanos mais afetados por ataques cibernéticos, segundo declarações do responsável da Unitel, José Sobral, feitas no último Angotic. Esse panorama reflete a crescente vulnerabilidade das infraestruturas digitais no continente, onde a expansão rápida de serviços de internet e telefonia tem sido acompanhada por ameaças cada vez mais sofisticadas.\n\nNos últimos três anos, o país tem registado um aumento significativo no número de incidentes de segurança digital, embora os detalhes específicos de cada caso não sejam divulgados publicamente. Essa tendência indica que as empresas de telecomunicações precisam reforçar continuamente as suas defesas contra ameaças emergentes.\n\nO ataque à Unitel é considerado um dos maiores já registrados em Angola, tanto pelo número de utilizadores afetados quanto pela extensão da interrupção dos serviços. A gravidade do evento destaca a importância de investimentos em cibersegurança para garantir a continuidade das comunicações essenciais.\n\nA paralisação dos serviços de voz e dados tem repercussões econômicas imediatas, sobretudo nos setores que dependem de pagamentos móveis e de plataformas digitais para operar. Pequenas empresas, comerciantes e consumidores que utilizam a Unitel como principal canal de transação podem enfrentar atrasos e perdas financeiras temporárias.\n\nA operadora informou que levará alguns dias para avaliar a extensão total dos danos e identificar a origem do ataque. Esse processo inclui a análise de logs, a verificação de vulnerabilidades e a implementação de medidas corretivas para evitar novas intrusões.\n\nEnquanto a normalidade dos serviços não é restabelecida, as autoridades reguladoras e a própria Unitel continuam a monitorar a situação. O objetivo é garantir que, ao final da avaliação, sejam adotadas estratégias de reforço da segurança que reduzam a probabilidade de incidentes semelhantes no futuro.
Fonte: OPaís
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