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Lança sobre o Senhor o teu fardo, e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado. Salmos 55:22

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Por Redacção Angola No Ar

UNITEL recupera serviços após ataque cibernético de dois dias

A maior operadora de telecomunicações de Angola, a UNITEL, interrompeu os seus serviços durante dois dias devido a um ataque informático ocorrido na madrugada de 28 de julho. A empresa, que atende 21 milhões de clientes, não conseguiu processar chamadas, mensagens ou acesso à internet móvel em todo o país.

Ilustração de uma sala de servidores com luzes vermelhas de emergência, representando um ataque cibernético que afeta as telecomunicações em Angola
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O apagão digital que atingiu a UNITEL não foi apenas um transtorno passageiro para os utilizadores. Para milhões de angolanos, a falta de conectividade paralisou rotinas essenciais. Sem acesso à internet móvel, muitos ficaram impossibilitados de realizar pagamentos, contactar familiares ou até aceder a serviços de emergência. Motoristas de aplicações de transporte viram as suas fontes de rendimento desaparecerem temporariamente, enquanto comerciantes não conseguiam processar vendas através de terminais eletrónicos. A dependência de um único operador de telecomunicações em Angola tornou-se evidente quando a interrupção se estendeu por quase 48 horas.

O ataque não atingiu apenas os utilizadores finais. Empresas de diversos setores sofreram com a paralisação dos serviços da UNITEL. Sem terminais de pagamento funcionais, muitas lojas e mercados tiveram de suspender transações, afectando directamente o comércio local. A falta de comunicação também dificultou a coordenação de serviços essenciais, desde entregas até assistência médica. Em zonas onde a UNITEL é a única provedora de internet móvel, o impacto foi ainda mais severo, deixando comunidades inteiras isoladas.

A empresa, que estava prestes a estrear na bolsa de valores, viu os seus planos adiados devido ao incidente. A estreia na bolsa, inicialmente prevista para breve, foi adiada enquanto as equipas técnicas trabalhavam para restaurar os sistemas e reforçar a segurança. Embora a UNITEL ainda não tenha divulgado o valor do prejuízo causado pelo ataque, especialistas em cibersegurança estimam que possa atingir milhões de dólares, considerando os prejuízos operacionais e a perda de confiança dos investidores.

Especialistas alertam que incidentes como este revelam a vulnerabilidade de infraestruturas críticas em Angola. A dependência de um único operador de telecomunicações aumenta os riscos, especialmente quando se trata de serviços essenciais como a internet móvel. Em países onde a cibersegurança ainda está em desenvolvimento, ataques deste género podem ter consequências graves, não só económicas, mas também sociais.

Casos semelhantes já aconteceram antes em outros países africanos, onde operadoras de telecomunicações foram alvo de ataques que resultaram em longas interrupções de serviços. Nesses casos, as empresas afectadas tiveram de investir fortemente em sistemas de segurança e redundância para evitar futuros incidentes. Em Angola, a situação reacendeu o debate sobre a necessidade de reforçar a proteção cibernética, não só no sector das telecomunicações, mas também em outras áreas críticas.

O Governo angolano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas a situação já levou a discussões sobre a importância de diversificar as opções de conectividade no país. Especialistas sugerem que Angola poderia adoptar políticas públicas para incentivar a concorrência no sector das telecomunicações, reduzindo assim a dependência de um único operador. Além disso, a implementação de leis mais rigorosas sobre cibersegurança poderia ajudar a prevenir futuros ataques.

A UNITEL já iniciou um processo de recuperação dos sistemas afectados, com equipas técnicas a trabalhar em regime de urgência. Embora os serviços já tenham sido restaurados, o incidente deixou lições importantes sobre a importância da segurança digital. A empresa anunciou que irá reforçar as suas infraestruturas e investir em tecnologias de proteção para evitar que situações semelhantes se repitam.

Para os utilizadores, o episódio serviu como um lembrete da fragilidade dos serviços digitais em Angola. Muitos passaram a questionar a fiabilidade das telecomunicações no país e a considerar alternativas, mesmo que limitadas. A situação também destacou a necessidade de o Governo e as empresas privadas trabalharem em conjunto para garantir a segurança e a estabilidade dos serviços essenciais.

Embora o ataque tenha sido contido, o impacto a longo prazo ainda está por avaliar. A UNITEL enfrenta agora o desafio de recuperar a confiança dos clientes e investidores, enquanto o sector das telecomunicações em Angola reflecte sobre os passos necessários para evitar futuros incidentes. A segurança digital tornou-se, mais do que nunca, uma prioridade não só para as empresas, mas também para o país como um todo.

Fonte: Expansão

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