Assembleia debate soluções para desemprego juvenil em Angola
A Assembleia Nacional realizou esta semana uma sessão especial para discutir o desemprego entre os jovens angolanos. O encontro juntou deputados de diferentes partidos com o objectivo de encontrar formas práticas de ajudar os jovens a entrar no mercado de trabalho. A iniciativa faz parte das comemorações do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto.

No centro da discussão estiveram os desafios que os jovens enfrentam mesmo depois de concluírem os seus estudos. Muitos formados saem das universidades com diplomas, mas deparam-se com portas fechadas quando tentam dar os primeiros passos na carreira. A falta de experiência prática é apontada como uma das principais barreiras. As empresas, por sua vez, exigem qualificações que nem sempre estão alinhadas com o que os recém-formados oferecem. A isto junta-se a burocracia que atrasa a criação de novos postos de trabalho, tornando ainda mais difícil a entrada dos jovens no mercado laboral.
O debate surge num momento em que o Governo angolano anunciou um plano ambicioso para criar centenas de milhares de empregos até 2027. No entanto, os números oficiais mostram que a situação actual é preocupante: mais de um terço dos jovens entre os 20 e os 29 anos estão sem trabalho. A discrepância entre o que as universidades ensinam e o que as empresas realmente precisam foi outro ponto crítico levantado durante a sessão. Muitas empresas preferem contratar trabalhadores com pelo menos dois anos de experiência, o que deixa os recém-formados numa posição desvantajosa.
Os deputados presentes no encontro sublinharam a necessidade de uma maior colaboração entre as universidades, o sector privado e o Executivo. A ideia é ajustar os cursos superiores às exigências do mercado, de modo a que os jovens estejam melhor preparados quando terminam os estudos. Além disso, foi proposta a criação de uma comissão interinstitucional para acompanhar a implementação das sugestões que surgiram durante a discussão. Esta comissão teria como missão monitorizar o progresso e garantir que as medidas acordadas não ficam apenas no papel.
Outra proposta avançada foi a introdução de incentivos fiscais para micro e pequenas empresas que contratem jovens. A justificação é simples: sem oportunidades reais, o risco de instabilidade social aumenta. Um deputado governamental alertou para as consequências de uma geração sem perspectivas de emprego, destacando que a falta de oportunidades pode levar a situações de frustração e descontentamento entre os jovens.
A sessão terminou com a promessa de que o tema voltará a ser discutido em Setembro, desta vez com a participação de representantes de associações juvenis e sindicatos. A ideia é ouvir directamente as vozes daqueles que vivem esta realidade no dia a dia, para que as soluções encontradas sejam mais ajustadas às necessidades reais.
Em Angola, o problema do desemprego juvenil não é novo, mas tem vindo a ganhar maior visibilidade nos últimos anos. Outros países africanos já enfrentaram situações semelhantes e tomaram medidas para tentar inverter a tendência. Em alguns casos, foram criados programas de estágios remunerados, enquanto noutros se apostou em parcerias entre empresas e instituições de ensino para desenvolver cursos mais práticos. Embora cada contexto seja diferente, estas experiências podem servir de inspiração para Angola.
A falta de experiência é um círculo vicioso: os jovens não conseguem emprego porque não têm experiência, e não conseguem experiência porque não têm emprego. Esta realidade afecta não só os indivíduos, mas também as famílias e a economia como um todo. Quando os jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho, a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento do país fica comprometida.
As universidades angolanas têm vindo a adaptar os seus currículos, mas o processo é lento e nem sempre acompanha as mudanças rápidas do mercado. Muitos cursos ainda são teóricos, com pouca componente prática. Por outro lado, as empresas também têm responsabilidade neste processo. Muitas vezes, preferem contratar trabalhadores com experiência já consolidada, mesmo que isso signifique pagar salários mais altos.
A discussão na Assembleia Nacional é um passo importante, mas a implementação das medidas será o verdadeiro desafio. Será necessário vontade política, mas também colaboração entre diferentes sectores da sociedade. Sem isso, os jovens angolanos continuarão a enfrentar dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, mesmo com formação superior.
O próximo passo será a formação da comissão interinstitucional, que terá a missão de transformar as ideias discutidas em acções concretas. Até lá, a pressão sobre o Governo e as empresas para criar mais oportunidades para os jovens vai continuar a aumentar. A sociedade angolana espera que esta discussão não fique apenas nas palavras, mas que resulte em mudanças reais que beneficiem a nova geração.
Fonte: Correio da Kianda
encontraste algum erro nesta notícia?
