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Por Redacção Angola No Ar

Assembleia analisa causas do desemprego juvenil e aponta soluções

Parlamentares angolanos debateram ontem os principais desafios que afastam os jovens do mercado de trabalho no país. A discussão, inserida nas comemorações do Dia Internacional da Juventude, procurou identificar os obstáculos estruturais que mantêm altas as taxas de desemprego entre angolanos com idades entre os 18 e 35 anos.

Sala vazia da Assembleia Nacional com documentos sobre mesas de madeira, luz natural a entrar pelas janelas, simbolizando a discussão parlamentar sobre emprego juvenil.
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A sessão especial da Assembleia Nacional, realizada na terça-feira, reuniu deputados de diferentes bancadas para analisar um problema que afeta directamente o futuro económico de Angola: o desemprego juvenil. Segundo os participantes, a falta de oportunidades para os mais novos não é apenas uma questão económica, mas também social, capaz de gerar instabilidade e aumentar a vulnerabilidade de uma geração inteira.

Entre os principais pontos levantados pelos parlamentares, destacou-se a desconexão entre o sistema de ensino e as necessidades reais do mercado laboral. Muitos jovens concluem cursos superiores ou técnicos sem encontrar espaço nas áreas em que se formaram, enquanto sectores estratégicos como a construção civil, as tecnologias da informação ou a agricultura continuam a registar escassez de mão-de-obra qualificada. A burocracia excessiva na abertura de empresas foi outro ponto criticado, com vários deputados a defenderem que os processos para criar negócios próprios são demasiado lentos e complexos para quem quer empreender.

Os relatos de jovens que participaram na discussão reforçaram estas observações. Muitos partilharam experiências de envio de currículos sem resposta ou de entrevistas em que as empresas pediam experiência prévia — um requisito impossível para quem tenta entrar pela primeira vez no mercado de trabalho. A ausência de programas de estágio ou de formação prática nas universidades foi apontada como uma das causas desta situação.

Ainda que não tenham sido avançadas soluções definitivas, os deputados mostraram-se unidos em torno de uma ideia: a necessidade de políticas públicas que combinem três pilares. O primeiro é a educação, com currículos mais alinhados com o que o mercado procura. O segundo é o empreendedorismo, com incentivos reais para quem quer criar o seu próprio emprego. O terceiro é a articulação entre o sector privado e as instituições de ensino, para que os estudantes tenham contacto com o mundo laboral ainda durante a formação.

A urgência desta discussão não é exclusiva de Angola. Em vários países africanos, governos e organizações da sociedade civil já tentaram implementar soluções semelhantes, com resultados variados. Alguns países apostaram em programas de formação profissional acelerada, enquanto outros criaram fundos de apoio a jovens empreendedores. Em comum, todos reconhecem que o problema exige acções coordenadas e não apenas medidas isoladas.

Os dados preliminares apresentados durante a sessão confirmam a gravidade da situação. Segundo informações internas da Assembleia, mais de 30% dos jovens entre os 18 e 24 anos estão desempregados, uma percentagem que sobe quando se consideram os que trabalham em condições precárias ou em empregos informais. Estes números, ainda que não oficiais, serviram para sublinhar a importância de um plano de acção concreto.

Para os parlamentares, a solução não passa apenas por criar mais empregos, mas por garantir que esses empregos sejam de qualidade e estejam acessíveis aos jovens. A simplificação de processos burocráticos para a abertura de empresas foi um dos temas mais discutidos, com vários deputados a defenderem que o Estado deve reduzir os obstáculos para quem quer empreender. A criação de incubadoras de negócios nas universidades e a promoção de parcerias entre empresas e instituições de ensino foram outras sugestões apresentadas.

A sessão terminou sem anúncios imediatos, mas com o compromisso de apresentar um plano estruturado até ao final do ano. Os deputados reconheceram que o problema é complexo e exige tempo, mas também que a demora em agir pode agravar ainda mais a situação. A juventude angolana, segundo vários participantes, não pode esperar mais.

O debate reflecte uma preocupação crescente em vários sectores da sociedade. Empresários, académicos e organizações não-governamentais já haviam chamado a atenção para este tema, destacando que o desemprego juvenil não é apenas um problema económico, mas também uma ameaça à coesão social. A falta de perspectivas para os jovens pode levar ao aumento da emigração, da criminalidade ou mesmo da radicalização política, alertaram alguns especialistas ouvidos pela imprensa.

A Assembleia Nacional já tinha abordado este tema em anos anteriores, mas sem resultados concretos. A diferença agora é a pressão crescente da sociedade civil e a consciência de que, sem acções efectivas, o problema pode tornar-se ainda mais difícil de resolver no futuro. A juventude angolana representa mais de 60% da população, o que torna esta discussão não apenas necessária, mas urgente.

Os próximos meses serão decisivos. O Governo, o sector privado e as instituições de ensino terão de trabalhar em conjunto para transformar as discussões em acções. Até lá, os jovens angolanos continuam à espera de respostas que lhes permitam construir um futuro profissional estável e digno.

Fonte: Correio da Kianda

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