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Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 1 Pedro 5:7

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Por Redacção Angola No Ar

Angola arrisca segurança digital por falta de especialistas locais

O recente ataque informático à Unitel expôs as fragilidades da cibersegurança em Angola. Especialistas alertam que a dependência de consultores estrangeiros deixa o país vulnerável a novos incidentes. A falta de profissionais qualificados no setor é apontada como principal causa do problema.

Ilustração de uma sala de servidores com símbolos de segurança digital, representando a proteção de dados em Angola
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A violação dos sistemas da Unitel não foi um caso isolado. Em Angola, a segurança digital enfrenta desafios constantes, especialmente em infraestruturas críticas. A operadora, uma das maiores do setor das telecomunicações no país, viu os seus dados expostos num incidente que reacendeu o debate sobre a proteção de informações sensíveis no setor público e privado.

A estratégia atual de recorrer a assessoria externa para garantir a segurança dos sistemas nacionais tem sido questionada por analistas e juristas. Para muitos, esta abordagem não só aumenta os custos como também deixa o país dependente de soluções que nem sempre se adaptam às realidades locais. A terceirização da cibersegurança, embora comum em vários setores, levanta dúvidas sobre a capacidade de Angola responder de forma autónoma a ameaças digitais.

A falta de mão de obra qualificada é outro ponto crítico. O mercado angolano ainda não formou profissionais suficientes para lidar com os desafios crescentes da cibersegurança. Enquanto outros países investem em formação técnica e académica, Angola depende, em grande medida, de especialistas estrangeiros, cujos conhecimentos nem sempre são transferidos de forma sustentável para as equipas locais.

O Executivo angolano tem trabalhado numa proposta de Lei de Cibersegurança, que poderá ser analisada em breve pelo Parlamento. O objetivo é criar um enquadramento legal que obrigue empresas e instituições a protegerem os seus dados e infraestruturas. No entanto, especialistas duvidam que a legislação, por si só, seja suficiente. Sem investimento contínuo em formação de profissionais e modernização de sistemas, o país continuará vulnerável a novos ataques.

Casos semelhantes já aconteceram noutros países africanos. Em anos anteriores, várias nações enfrentaram violações de dados em setores estratégicos, o que levou a mudanças significativas nas políticas de segurança digital. Em alguns casos, a resposta incluiu a criação de agências nacionais dedicadas à cibersegurança, bem como parcerias com instituições internacionais para partilha de boas práticas. Angola poderia seguir um caminho semelhante, mas o processo exige tempo e recursos.

A Unitel, que já enfrentou problemas de segurança no passado, ainda não detalhou publicamente como ocorreu o ataque nem as medidas adotadas para evitar novos incidentes. A empresa, que opera em um setor altamente regulado, tem a responsabilidade de garantir a proteção dos dados dos seus clientes. A ausência de uma comunicação clara sobre o incidente levanta questões sobre a transparência das empresas em relação a violações de segurança.

A dependência de consultores externos não é exclusiva de Angola. Em muitos países, governos e empresas recorrem a especialistas estrangeiros para lidar com ameaças digitais complexas. No entanto, a diferença está na capacidade de internalizar esse conhecimento. Países que investem em formação local conseguem reduzir a dependência externa e criar equipas capazes de responder rapidamente a novos desafios.

O setor das telecomunicações é apenas um exemplo de como a cibersegurança afeta a economia angolana. Bancos, empresas de energia e instituições governamentais também dependem de sistemas digitais seguros para operar. Qualquer violação pode ter consequências graves, desde prejuízos financeiros até à perda de confiança dos cidadãos nas instituições.

A discussão sobre a Lei de Cibersegurança surge num momento em que a digitalização avança em Angola. O uso crescente de tecnologias como a internet das coisas e a inteligência artificial exige sistemas mais robustos e preparados para enfrentar ameaças. Sem uma estratégia clara de longo prazo, o país corre o risco de ficar para trás em relação a outras nações que já implementaram políticas mais avançadas de proteção digital.

Especialistas destacam que a solução não passa apenas por leis ou tecnologias importadas. É necessário um plano nacional que inclua a formação de profissionais, a modernização de infraestruturas e a criação de mecanismos de resposta rápida a incidentes. A colaboração entre o setor público e privado será fundamental para garantir que Angola consiga proteger os seus dados e infraestruturas críticas.

Até que essas medidas sejam implementadas, o país continuará vulnerável a novos ataques. A dependência de consultores estrangeiros, embora possa ser uma solução temporária, não resolve o problema estrutural da falta de especialistas locais. A transição para um modelo mais autónomo exigirá tempo, investimento e vontade política, mas é um passo necessário para garantir a segurança digital de Angola.

Fonte: Correio da Kianda

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