Angola exposta a ciberameaças por falta de especialistas locais
A Unitel, uma das principais operadoras de telecomunicações de Angola, voltou a ser alvo de um ataque informático. O incidente reacendeu o debate sobre a segurança das infraestruturas críticas do país. Especialistas alertam que a dependência de consultores estrangeiros para proteger sistemas estratégicos aumenta os riscos de ciberataques cada vez mais sofisticados.

O ataque à Unitel não foi um caso isolado. Nos últimos meses, várias instituições públicas e privadas em Angola sofreram tentativas de intrusão, algumas com sucesso. A situação levou o Governo a discutir, na Assembleia Nacional, a aprovação de uma Lei de Cibersegurança, que ainda está em análise. Enquanto isso, o país continua a depender de parcerias internacionais para formar os seus quadros e actualizar os seus sistemas, uma estratégia que muitos analistas consideram insuficiente.
A falta de especialistas nacionais qualificados é um dos principais problemas. Segundo analistas ouvidos pela imprensa local, a contratação de empresas estrangeiras pode criar brechas de segurança. Os profissionais externos nem sempre conhecem as particularidades do ecossistema digital angolano, o que pode deixar portas abertas para invasões. Além disso, a dependência de soluções externas não só encarece os custos como também expõe o país a riscos desnecessários.
A morosidade na implementação de políticas locais de proteção digital contrasta com a velocidade dos ataques. Enquanto outros países africanos já avançaram com legislações próprias e centros de resposta a incidentes, Angola ainda depende de soluções externas para proteger infraestruturas críticas. Serviços essenciais, como energia e telecomunicações, dependem cada vez mais de plataformas digitais, o que torna a falta de um plano nacional robusto numa fragilidade perigosa.
A discussão ganha urgência num contexto global onde os ciberataques se tornam cada vez mais frequentes e complexos. Em África, países como a África do Sul e o Quénia já implementaram leis e estruturas dedicadas à cibersegurança, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras. Angola, no entanto, ainda está a dar os primeiros passos. A Assembleia Nacional já debateu a necessidade de uma lei específica, mas o processo avança lentamente.
Para especialistas, a solução passa pela formação de técnicos angolanos e pela criação de uma autoridade nacional de cibersegurança. Sem investimento em capital humano e infraestrutura própria, o país continuará a ser um alvo fácil para cibercriminosos. A falta de um plano nacional robusto deixa Angola numa posição de vulnerabilidade face a ameaças globais.
A situação actual reflecte um problema mais amplo: a dependência tecnológica pode ser um risco quando não acompanhada por políticas públicas fortes. Outros países já enfrentaram desafios semelhantes e optaram por investir em formação local e legislação própria. Angola precisa de seguir esse caminho para garantir a segurança das suas infraestruturas digitais.
Ainda não há confirmação oficial sobre quando a Lei de Cibersegurança será aprovada. Enquanto isso, as instituições angolanas continuam a ser alvo de tentativas de intrusão, algumas com sucesso. A urgência da situação exige acção rápida para evitar que incidentes como o da Unitel se repitam com consequências mais graves.
A falta de um plano nacional robusto não afecta apenas as empresas. Serviços essenciais, como o fornecimento de energia e as telecomunicações, dependem cada vez mais de plataformas digitais. Um ataque bem-sucedido nestes sectores poderia ter impactos graves na economia e na vida quotidiana dos angolanos. Por isso, a discussão sobre cibersegurança não pode ser adiada.
Especialistas sublinham que a formação de técnicos locais é fundamental para reduzir a dependência de consultores estrangeiros. Além disso, a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança poderia coordenar esforços, partilhar informações e responder rapidamente a incidentes. Sem estas medidas, Angola continuará vulnerável a ciberataques cada vez mais sofisticados.
A situação actual exige uma resposta coordenada entre o Governo, o sector privado e a sociedade civil. A aprovação da Lei de Cibersegurança é um passo necessário, mas não suficiente. É preciso investir em infraestrutura, formar profissionais e criar mecanismos de resposta rápida. Só assim Angola poderá proteger as suas infraestruturas críticas e garantir a segurança digital dos seus cidadãos.
Fonte: Correio da Kianda
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