Angola corre atrás de especialistas para evitar novos ciberataques
O ciberataque sofrido pela Unitel no início do mês mostrou como Angola ainda depende demasiado de técnicos estrangeiros para proteger as suas infraestruturas digitais. Especialistas alertam que esta prática pode deixar o país mais vulnerável a novas invasões.

O ataque informático que atingiu a Unitel no início do mês deixou a nu uma realidade que muitos já conheciam: Angola ainda não tem capacidade própria para garantir a segurança dos seus sistemas digitais mais críticos. O incidente serviu como um alerta vermelho para o Governo e para as empresas privadas, que há anos recorrem a consultores externos para lidar com ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas.
A contratação constante de assessoria estrangeira, embora seja uma solução imediata, levanta dúvidas sobre os riscos a longo prazo. Especialistas ouvidos pela imprensa local explicam que a dependência de técnicos de fora pode criar uma vulnerabilidade adicional. Afinal, quem garante que esses profissionais não se tornam, eles próprios, um ponto de entrada para novos ataques? A pergunta não é descabida quando se olha para casos semelhantes que já aconteceram noutros países.
O jurista David Mendes, citado por um meio de comunicação local, foi claro ao afirmar que Angola precisa de formar os seus próprios quadros nesta área. Segundo ele, a falta de especialistas locais deixa o país exposto a ataques coordenados, que podem ter consequências graves para a economia e para a segurança nacional. A sua posição reflecte uma preocupação que tem vindo a ganhar força nos últimos anos, à medida que os ciberataques se tornam mais frequentes e mais destrutivos.
A Unitel, uma das maiores empresas de telecomunicações do país, não comentou publicamente as causas do incidente. No entanto, fontes internas admitiram que a empresa recorreu a apoio externo para reforçar a segurança dos seus sistemas. Esta não é uma prática isolada: várias outras empresas e instituições públicas angolanas também dependem de serviços externos para proteger os seus dados e infraestruturas. A prática é comum, mas levanta questões sobre a capacidade do país de garantir a sua própria segurança digital no futuro.
O problema não é exclusivo de Angola. Em todo o mundo, muitos países enfrentam desafios semelhantes quando se trata de cibersegurança. Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, criando centros nacionais de resposta a incidentes digitais ou investindo em programas de formação para profissionais locais. Estes esforços mostram que a solução passa, inevitavelmente, pela capacitação de recursos humanos próprios.
O Governo angolano já anunciou planos para criar um centro nacional de resposta a incidentes digitais. A iniciativa surge após vários alertas de organizações internacionais sobre a fragilidade das infraestruturas críticas do país. Especialistas consideram que a medida é urgente, mas alertam que os resultados só serão visíveis a médio prazo. Afinal, formar profissionais qualificados e construir uma estrutura robusta leva tempo, especialmente num sector tão complexo como a cibersegurança.
Enquanto isso, o debate sobre a segurança digital em Angola ganha novos contornos. A dependência de consultores estrangeiros não é apenas uma questão técnica — é também uma questão de soberania. Se o país não conseguir formar os seus próprios especialistas, continuará a depender de terceiros para resolver problemas que, em última análise, só os angolanos podem resolver de forma definitiva.
A situação actual reflecte um desafio maior que vai além dos ciberataques. Mostra como Angola ainda tem um longo caminho a percorrer para se tornar autossuficiente em áreas estratégicas. A formação de quadros locais não é apenas uma opção — é uma necessidade. E quanto mais tarde o país agir, maiores serão os riscos de novos incidentes que podem afectar não só as empresas, mas também a vida de milhões de cidadãos que dependem da segurança dos seus dados.
O caso da Unitel é apenas a ponta do iceberg. Enquanto o país não investir seriamente na formação de especialistas em cibersegurança, a vulnerabilidade permanecerá. E cada novo ataque será mais um lembrete de que Angola precisa de agir agora, antes que seja tarde demais.
Fonte: Correio da Kianda
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