AIAAN: Adiamento na gestão do aeroporto de Luanda mantém incerteza
O Aeroporto Internacional António Agostinho Neto (AIAAN) continua parado há meses, enquanto o Governo e um grupo de empresas privadas não chegam a acordo para assinar o contrato de gestão. Oito meses depois do anúncio da concessão, as negociações avançam a passo lento, deixando passageiros e empresas na incerteza sobre quando o novo terminal vai substituir o actual aeroporto de Luanda.

A demora na assinatura do contrato de gestão do AIAAN reflecte um problema maior: a dificuldade em equilibrar os interesses do Estado com os da iniciativa privada. O Executivo angolano, em parceria com a Corporación América Airports (CAAP), dos EUA, e empresas locais como a Mota-Engil e a Bestfly, tenta definir um modelo que torne o projecto viável. No entanto, os números mostram que o novo aeroporto ainda não consegue atrair passageiros na quantidade esperada, o que complica as negociações.
Desde a abertura parcial do AIAAN, o movimento de passageiros ficou muito abaixo das previsões. Em 2025, o terminal registou menos de um milhão de passageiros, uma fracção dos 15 milhões inicialmente projectados. As estimativas para os próximos anos também foram revistas em baixa, o que levanta dúvidas sobre a capacidade do aeroporto de se sustentar financeiramente sem apoio estatal. Enquanto isso, o Aeroporto 4 de Fevereiro continua a operar, acumulando voos e passageiros que, em teoria, deveriam já ter migrado para a nova infraestrutura.
A entidade pública responsável pelo AIAAN, a ATO, anunciou prejuízos significativos no ano passado, atingindo quase sete mil milhões de kwanzas. O relatório da ATO destaca que os micro e pequenos negócios instalados no terminal foram os mais afectados, uma vez que muitos não tinham acesso a medidas de apoio governamental devido a requisitos fiscais. Esta situação agrava a já frágil economia local, que depende em grande parte dos serviços aeroportuários para gerar emprego e movimentar a economia.
Os atrasos não se devem apenas à falta de passageiros. Os custos de manutenção do novo aeroporto são elevados, e o consórcio privado liderado pela CAAP tem pressionado por ajustes nos termos iniciais do acordo. O Governo, por sua vez, procura um modelo que não sobrecarregue o erário público, mas que também não deixe as empresas privadas em desvantagem. As discussões centram-se agora em questões técnicas e comerciais, com foco no mercado nacional de aviação, que enfrenta os seus próprios desafios.
Este cenário não é exclusivo de Angola. Em vários países africanos, projectos semelhantes de concessão de aeroportos enfrentaram dificuldades semelhantes nos últimos anos. Muitas vezes, as previsões de tráfego inicial revelam-se demasiado optimistas, enquanto os custos de operação superam as receitas. Nestes casos, os governos são obrigados a rever os contratos ou a injectar mais fundos para evitar o colapso das infraestruturas.
Para as empresas que operam no sector da aviação em Angola, a incerteza actual tem consequências directas. Muitas já investiram em infraestruturas no novo aeroporto, mas a falta de passageiros torna difícil recuperar os custos. Além disso, a ausência de um contrato de gestão assinado atrasa a implementação de melhorias e a expansão de serviços, o que pode afastar companhias aéreas internacionais.
O Governo angolano já sinalizou que está disposto a rever alguns termos do acordo, mas o processo exige tempo e negociações cuidadosas. Enquanto isso, passageiros e empresas continuam a depender do Aeroporto 4 de Fevereiro, que, embora mais antigo, ainda consegue movimentar um volume significativo de voos. A transição entre os dois aeroportos, que deveria ter sido concluída há meses, arrasta-se, deixando dúvidas sobre quando o AIAAN poderá finalmente assumir o seu papel central na aviação angolana.
A situação actual levanta questões sobre o modelo de concessão adoptado. Em muitos casos, a parceria público-privada pode trazer eficiência e inovação, mas também exige um equilíbrio delicado entre lucro e serviço público. Se o Governo não conseguir chegar a um acordo satisfatório, o projecto pode ficar comprometido, prejudicando não só a economia local, mas também a imagem do país no sector da aviação.
Nos próximos meses, as negociações devem intensificar-se, com foco em encontrar um ponto de equilíbrio que satisfaça todas as partes. Até lá, passageiros e empresas terão de lidar com a incerteza, enquanto aguardam por um aeroporto que, em teoria, já deveria estar a funcionar a pleno vapor.
A demora na gestão do AIAAN não é apenas um problema logístico — é um reflexo das dificuldades que Angola enfrenta para modernizar as suas infraestruturas sem comprometer a sustentabilidade financeira. Enquanto o país espera por um acordo, o futuro do novo aeroporto permanece em aberto, dependendo de decisões que ainda não foram tomadas.
Fonte: Expansão
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