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Economia
Por Redacção Angola No Ar

Crescimento da agricultura reduz importações em Angola

Nos últimos dois anos, a agricultura angolana assumiu um papel cada vez mais central na economia nacional. O aumento da produção local de alimentos básicos, como milho, mandioca e feijão, tem vindo a ganhar ritmo, impulsionado por investimentos em tecnologia e apoio governamental aos produtores rurais. Especialistas destacam que este avanço pode ajudar Angola a depender menos de importações e a fortalecer a sua segurança alimentar.

Campo agrícola em Angola com agricultores a colher culturas, sistemas de irrigação modernos ao fundo e paisagem rural sob céu claro
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Em Angola, a agricultura não é apenas uma actividade tradicional — está a transformar-se num sector estratégico para a economia. Nos últimos dois anos, a produção local de culturas como milho, mandioca e feijão tem registado um crescimento acima do esperado. Este desenvolvimento não surge por acaso: resulta de um conjunto de medidas que incluem investimentos em tecnologia, assistência técnica aos agricultores e distribuição de sementes melhoradas. O objectivo é claro: reduzir a dependência do país face às importações e garantir que as famílias angolanas tenham acesso a alimentos produzidos localmente.

O Ministério da Agricultura tem sido um dos principais impulsionadores desta mudança. Através de programas de apoio, tem reforçado a assistência técnica aos pequenos e médios produtores, muitos dos quais trabalham em condições difíceis. Em 2023, foram aplicados mais de 15 mil milhões de kwanzas em infraestruturas rurais, como armazéns e sistemas de irrigação. Estas melhorias não só aumentam a produtividade, como também ajudam a preservar os alimentos colhidos, evitando perdas que antes eram comuns.

Apesar dos progressos, o sector enfrenta desafios que não podem ser ignorados. A falta de maquinaria adequada é um dos principais obstáculos, especialmente em províncias onde a produção depende ainda muito do trabalho manual. Outro problema recorrente é a dependência das chuvas: em algumas regiões, períodos de seca prolongada têm reduzido as colheitas, obrigando a importações pontuais de alimentos para suprir a falta local. Mesmo assim, as autoridades mantêm-se optimistas e garantem que as metas para os próximos anos são ambiciosas.

O plano do Governo passa por reduzir as importações de alimentos em 30% até 2025. Para atingir este objectivo, estão previstos novos investimentos em infraestruturas, como estradas rurais que facilitam o escoamento da produção, e em programas de crédito facilitado para cooperativas agrícolas. A ideia é que, com mais recursos e melhores condições, os produtores consigam aumentar a produção e, consequentemente, reduzir a necessidade de comprar alimentos no exterior.

A agricultura já representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, um sinal de que o sector está a ganhar peso na economia nacional. Milhares de famílias rurais passaram a depender directamente desta actividade, que lhes garante não só sustento, como também uma fonte de rendimento. Para especialistas, este crescimento reflecte uma oportunidade única para o país diminuir a sua vulnerabilidade face às flutuações do mercado petrolífero, que durante décadas dominou a economia angolana.

O Governo anunciou recentemente a criação de um fundo específico para apoiar cooperativas agrícolas. Esta medida faz parte de um pacote mais alargado de incentivos à produção local, que inclui também parcerias com o sector privado e acesso a crédito com condições mais favoráveis. A expectativa é que, com estes apoios, o sector consiga não só aumentar a produção, como também criar empregos e melhorar as condições de vida nas zonas rurais.

A diversificação da economia angolana é um processo que já começou, mas que ainda tem um longo caminho a percorrer. Enquanto outros países africanos já implementaram medidas semelhantes no passado, Angola está a dar os primeiros passos num sector que pode ser decisivo para o seu futuro. A aposta na agricultura não é apenas uma questão económica — é também uma estratégia para garantir que o país não dependa exclusivamente de um único recurso.

Os próximos anos serão decisivos para avaliar se as medidas adoptadas estão a ter o impacto desejado. Casos parecidos já aconteceram antes em outras nações, onde investimentos em agricultura resultaram em maior segurança alimentar e redução das importações. Em Angola, o desafio passa por manter o ritmo de crescimento e superar os obstáculos que ainda persistem, como a falta de maquinaria e a dependência das chuvas. Se os resultados forem positivos, o sector poderá tornar-se num dos principais motores do desenvolvimento económico do país.

Para os agricultores, a mudança já é visível. Muitos relatam que, com o apoio recebido, conseguiram aumentar as suas colheitas e melhorar a qualidade dos alimentos produzidos. A esperança é que, com o tempo, esta tendência se mantenha e que Angola consiga não só alimentar a sua população, como também exportar excedentes para outros mercados. O caminho é longo, mas os primeiros sinais são promissores.

O que está em jogo não é apenas a economia — é a segurança alimentar de milhões de angolanos. Se a agricultura continuar a crescer ao ritmo actual, o país poderá estar a caminho de uma maior autonomia nesta área, reduzindo a necessidade de importar alimentos e fortalecendo a sua posição no cenário regional.

Fonte: Google News (Angola)

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